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Justiça do Japão reconhece vítimas da chuva radioativa de Hiroshima

Marco zero de Hiroshima | ©Domínio Público

As vítimas da “chuva negra” podem finalmente receber os benefícios concedidos aos sobreviventes da bomba atômica em 1945.

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Depois de décadas, um tribunal de Hiroshima finalmente reconheceu as vítimas do fenômeno que ficou conhecido como “chuva negra” radioativa, que se seguiu ao bombardeio nuclear da cidade, em 6 de agosto de 1945.

Setenta e cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Justiça japonesa decidiu que 84 vítimas da “chuva negra”, com idade média acima de 80 anos, podem finalmente se beneficiar dos cuidados médicos concedidos aos sobreviventes do bombardeio.

Até 1957, esses japoneses não se beneficiavam de nenhuma assistência especial. O governo do Japão criou um sistema de subsídios e assistência médica gratuita, dependendo da proximidade do local da explosão, dentro de um raio de 2 a 3 quilômetros, e não além disso.

Área chamada marco zero, onde a bomba atômica em Hiroshima explodiu, restou “milagrosamente” apenas uma edificação em pé | ©Domínio Público

Para reduzir os custos do tratamento de pessoas contaminadas pela radiação, os hibakusha – que estão morrendo lentamente de câncer devido à exposição – as vítimas da “chuva negra” radioativa não eram reconhecidas como sobreviventes do bombardeio.

Setenta e cinco anos depois, o juiz Yoshiyuki Takashima, do Tribunal Distrital de Hiroshima, declara que eles também sofrem de doenças relacionadas aos bombardeios e cumprem as condições legais exigidas.

“Não há nada de irracional nas declarações desses moradores de que foram encharcados pela chuva negra”, disse o presidente do tribunal, juiz Yoshiyuki Takashima, à emissora pública de televisão, NHK.

“Os exames médicos mostram que esses habitantes sofrem de doenças consideradas relacionadas à bomba atômica e que atendem aos requisitos legais exigidos pelo hibakusha”, acrescentou.

Discriminação

Após a guerra, o Japão transformou o seu povo vítima de radiação em seres desumanizados, frequentemente rejeitados por empresas. À época, temia-se que fossem contagiosos. Muitas vítimas da bomba atômica não se registraram como tal por medo de discriminação.

Bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki

No dia 6 de agosto de 1945, às 8h15 locais, o bombardeiro B-29 americano “Enola Gay” lançou – a cerca de 600 metros de altura – sobre a cidade de Hiroshima a bomba atômica chamada de “Little Boy”.

Uma nuvem em formato de cogumelo subiu aos céus no momento em que a bomba atômica explodiu no solo de Hiroshima | ©Domínio Público

Com uma potência equivalente a 16 quilotoneladas de TNT, a bomba em Hiroshima causou uma deflagração que subiu a temperatura no solo a 4.000 graus.

“Little Boy” provocou de forma imediata com a vida de cerca de 80 mil pessoas. O número aumentaria até o final de 1945, quando o balanço de mortos chegava a 140 mil, e nos anos posteriores as vítimas da radiação somaram mais do que o dobro.

A foto mostra médicos militares atendendo os sobreviventes do ataque atômico em Hiroshima | ©Domínio Público

Três dias depois da destruição de Hiroshima, os EUA lançaram sobre o Japão uma segunda bomba atômica, a “Fat Man”, que atingiu a cidade de Nagasaki, o segundo ataque atômico da história mundial causou a morte instantânea de 74.000 pessoas.

As duas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos precipitaram a capitulação do Japão no dia 15 de agosto de 1945 e, de fato, o fim da Segunda Guerra Mundial.

Mesmo em meio à destruição devastadora em Hiroshima, uma das duas únicas cidades do mundo a sofrerem ataque atômico na história da humanidade, os japoneses mostraram sua resiliência ao iniciarem a reconstrução da cidade logo na semana posterior ao ataque | ©Domínio Público

Muitos japoneses consideram a destruição dessas duas cidades como crimes de guerra, uma vez que os alvos foram civis e sua capacidade de devastação sem precedentes.

Enquanto isso, grande parte dos americanos acredita que estes bombardeios, que precipitaram o fim da guerra entre os Estados Unidos e o Japão, impediu a perda de mais vidas.

Mundo-Nipo (MN)
Fontes: Agência RFI | Kyodo News.

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