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Japão chora a morte de jornalista executado pelo Estado Islâmico

A execução de Goto mergulhou o Japão em um estado de choque e luto neste domingo.

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Do Mundo-Nipo

O brutal assassinato do jornalista Kenji Goto pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) exibido em um vídeo feito por jihadistas, mergulhou o Japão em um estado de choque e luto neste domingo (1), dias depois de sua situação como refém na Síria ter unido pessoas de todo o mundo para rogar por sua libertação.

De acordo com familiares, amigos e companheiros de trabalho de Goto, as histórias das pessoas mais vulneráveis, principalmente envolvendo crianças e pobres, eram as que impulsionavam o jornalista que tinha 47 anos.

Junko Ishido (Foto: Kyodo)

Junko Ishido chora a morte do filho (Foto: Kyodo)

“Kenji morreu, e meu coração está partido. Eu estou sem palavras. A minha única esperança é que possamos continuar com a missão de Kenji para salvar as crianças da guerra e da pobreza”, disse a mãe do jornalista, Junko Ishido, de 78 anos, de acordo com declarações colhidas pela pela imprensa japonesa e divulgada hoje pela agência Associated Press (AP).

Goto era um jornalista freelancer veterano, que costumava trabalhar com câmeras e produtores japoneses de televisão. Sua opinião era muitas vezes emitida nos principais meios de comunicação japoneses.

Em 2005, ele escreveu um livro sobre a situação das crianças em Serra Leoa intitulado “Queremos a paz, não diamantes”. Goto, no entanto, sempre insistia que não era um repórter de guerra, mas, em vez disso, dedicava-se a contar as histórias de pessoas comuns, a poucos passos da zona de conflito, detalha a AP.

O sentimento de preocupação com as crianças, os menos favorecidos e oprimidos impulsionou Goto à campos de refugiados e orfanatos. Deu voz às histórias de crianças que sofriam violência, fome e pesadelos.

Enquanto era mantido como refém, pessoas de todo o mundo se mobilizaram para pressionar pela libertação do jornalista. A agência Kyodo destacou hoje sobre uma página do Facebook, que foi criada logo após a publicação do primeiro vídeo no mês passado, com a milícia extremista da EI ameaçando Goto de morte caso o primeiro-ministro japonês não seguisse as instruções, que envolviam uma troca do jornalista por pela iraquiana Sajida al Rishawi, uma terrorista supostamente ligada ao grupo Al-Qaeda.

Rapidamente, um grande número de pessoas passaram a seguir a página e a publicar fotos segurando cartazes “Eu sou Kenji”, em referência ao lema “Eu sou Charlie” criado em solidariedade às vítimas do atentado ao jornal satírico francês, de acordo com a AP.

 

Negociação para resgate de reféns

Kenji Goto foi capturado em outubro do ano passado, depois de viajar à Síria para tentar negociar a libertação de Haruna Yukawa, executado na semana passada. Em um vídeo publicado na internet no dia 20 de janeiro, um suposto membro do grupo jihadista dava um prazo de 72 horas ao governo do Japão para pagar US$ 200 milhões e assim evitar a execução dos dois reféns de nacionalidade japonesa.

Após a morte de Yukawa, o grupo passou a ameaçar matar o japonês Kenji Goto e o piloto jordaniano Mu’ath al-Kaseasbeh se a terrorista iraquiana Sajida al Rishawi, que está presa na Jordânia, não fosse libertada. O governo jordaniano afirmou concordar com a troca, mas exigiu uma prova de vida do piloto. No vídeo, com a execução de Goto não é feita nenhuma referência a Mu’ath al-Kaseasbeh, de acordo com a Agência Reuters.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, falou à imprensa sobre a execução de Goto. “Sinto uma forte indignação perante esse ato desumano e desprezível de terrorismo”, afirmou. “O Japão irá trabalhar com a comunidade internacional para trazer os responsáveis por este crime à justiça”, acrescentou, reforçando ainda que o Japão “não se entregará ao terrorismo”.

(Com informações das agências Reuters, AP, AFP e Kyodo)

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