Datas festivas

Seijin No Hi: Dia da Maioridade no Japão

Foto: Shutterstock

A maioridade no Japão é obtida ao atingir os 20 anos. É uma data importantíssima para os japoneses, que têm um dia específico para comemorá-la.

Atualizado em 01/01/2017


A maioridade no Japão é obtida ao atingir os 20 anos de idade. No país, há uma data específica para comemorar o “Dia da Maioridade”, chamado pelos japoneses de “Seijin No Hi”, dia em que são realizadas cerimônias “Seijinshiki” para dar as boas-vindas aos novos adultos.

Seijin No Hi: Dia da Maioridade no Japão (Foto: Kyodo)

As cerimônias Seijinshikis são realizadas pelos departamentos de ensino das prefeituras (Foto: Arquivo/Kyodo)

O Seijin No Hi é um feriado nacional que tradicionalmente era festejado no dia 15 de janeiro. A data, no entanto, passou a ser móvel e celebrada na primeira segunda-feira após o dia 15 de janeiro. Essa mudança ocorreu após a aprovação de uma lei que permite a transferência dos feriados no Japão.

Aos 20 anos, os jovens passam a ter todos os direitos e deveres de um adulto. Eles podem votar, fumar e ingerir bebidas alcoólicas em público, além de poder contrair matrimônio sem o consentimento dos pais. O estabelecimento da maioridade legal, pelo Código Civil Japonês, ocorreu em 1876, após a Restauração Meiji.

As cerimônias Seijinshikis são realizadas pelos departamentos de ensino das prefeituras. Tradicionalmente, elas emitem convites de participação no mês de outubro a todos os nascidos na cidade, incluindo os estrangeiros residentes, que completem 20 anos no período entre dois de abril do ano anterior a dia primeiro de abril do ano corrente.

Vestimenta oficial
No dia da cerimônia, os rapazes vestem ternos ocidentais ou os tradicionais “hakamas”. Esses trajes consistem em calças presas por cordões nas cinturas e quimonos curtos especiais chamados de “ahori”.

Seijin No Hi: Dia da Maioridade no Japão (Foto: Shutterstock)

No dia da cerimônia, rapazes vestem ternos ocidentais ou os tradicionais “hakamas”, enquanto as meninas usam o caríssimo “furisode” (Foto: Arquivo/Shutterstock)

Já as meninas esperam com ansiedade pelo Seijinshiki, que só perde em importância para a cerimônia de casamento. Nessa ocasião, elas vestem o “furisode”. Esse traje é quimono tradicional cujas mangas podem chegar a pender por um metro ou mais. O furisode é uma vestimenta especial para moças solteiras.

A preparação das jovens é um ritual um tanto complicado. Elas levam horas para arrumar os cabelos e se maquiar, além de ter que contratar uma pessoa especializada para vesti-las apropriadamente, pois é praticamente impossível vestir o furisode sem ajuda.

O custo destes trajes femininos é astronômico, no entanto, os masculinos são bem mais acessíveis, embora também possam ser caros. Um furisode pode chegar a custar milhões de ienes e por isso muitos optam por alugá-los. Para ter uma ideia, somente um “obi” (faixa da cintura) pode custar um milhão de ienes (cerca de R$ 28 mil pelo câmbio atual), dependendo da qualidade do material.

Responsabilidade
Durante a cerimônia, autoridades locais falam aos jovens sobre as responsabilidades e o peso de sua nova condição de adultos. Alguns prêmios são sempre oferecidos nessa ocasião como, por exemplo, distribuição de “passes” para duas pessoas esquiarem por um dia em um resort de ski e uniformes esportivos, além de sorteios de tablets, smartphones, games, aparelhos eletrônicos e jantares em restaurantes.

Jovens estrangeiros
Embora seja uma formalidade tradicional japonesa, há estrangeiros que participam. Alguns são tão integrados à cultura japonesa que torna difícil reconhecê-los em meio à multidão alegre e colorida que se forma nos salões durante o Seijinshiki.

Apesar da diferença cultural, vários estrangeiros participam, pois o momento é de festa por ser um “reencontro” de amigos da escola, onde podem rever pessoas que não veem há muito tempo. Os pais normalmente não participam dos Seijinshikis devido a distancia, embora alguns possam deslocar-se de seus países para prestigiar os filhos em um dia considerado de extrema importância para eles.

Declínio de participantes nos Seijinshikis
A população jovem japonesa vem caindo alarmantemente e, consequentemente, o número de participantes nos Seijinshikis também. Anualmente, pouco mais da metade dos convidados comparece às cerimônias.

Segundo o Conselho Estudantil do Japão, muitos se mudam de cidade para estudar ou trabalhar e, no caso de estrangeiros, retornam ao seu país de origem. Embora haja recursos como os empréstimos de vestimentas pelas prefeituras, muitos não têm condições financeiras para pagar o caríssimo aluguel dos trajes. Além disso, a ausência ao evento também é justificada por aqueles que não carregam boas lembranças dos tempos de escola e seu último desejo é rever seus colegas.

O número de estrangeiros, principalmente brasileiros, que participa é pequeno e varia bastante. Alguns se mudam de cidade e não se registram nas novas prefeituras, deixando de receber os convites enviados pelo correio, além de outros que simplesmente não se interessam.

Entre os participantes estrangeiros, há aqueles completamente integrados à cultura japonesa que mal falam o português e até preferem evitar que os colegas saibam que são “gaikokujins”, palavra empregada para referir-se a estrangeiros, não-japoneses e/ou descendentes nascidos em outros países.

Contudo, o “Dia da Maioridade” ainda continua sendo extremamente importante para boa parte dos jovens japoneses e estrangeiros que chegam aos 20 anos de idade no Japão. Uma data que ficará marcada na memória de cada participante pelo o resto de suas vidas.

Por Maria Rosa
Principais fontes de pesquisa:
• Jornal The Asahi Shimbun
• Agência Kyodo
• Jornal Tudo Bem

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