Economia

Japão quer investir em infraestrutura no Brasil

Com um orçamento de US$ 81 bilhões para investir em alguns países, Japão busca parceria com o Brasil para concretização de projetos.

Do Mundo-Nipo

Com um orçamento de US$ 81 bilhões para investir em infraestrutura em alguns países, Japão busca parceria com o Brasil para concretização de vários projetos, afirmou Takuma Hatano, presidente da Corporação Japonesa de Investimento em Infraestrutura para Transporte e Desenvolvimento Urbano no Exterior (Join, na sigla em inglês), no final da 18ª reunião conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, na terça-feira (1).

Organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua contraparte japonesa, a Keidanren, em parceria com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), a 18ª edição do evento reuniu 400 representantes dos setores públicos e privados de Brasil e Japão durante dois dias no centro de convenção da Fiergs, em Porto Alegre.

O orçamento japonês, de US$ 81 bilhões para investimentos em outros países, tem previsão de ser elevado para cerca de US$ 244 bilhões até o ano de 2020.

Os temas tratados no encontro incluíram perspectivas econômicas para os dois países, recursos naturais e renováveis, cooperação empresarial, agronegócio e inovação e tecnologia. O último dia do evento contou com a participação do governador do Rio Grande do Sul. Sartori ressaltou as negociações com o governo federal para ampliar concessões no Estado.

Criada em 2014, a Join é gerida pelo governo japonês, mas seu capital é divido: 50% público e 50% privado. A função do órgão é estimular e fazer com que empresas japonesas participem de investimentos e parcerias Público-Privadas (PPPs) em outros países.

“Temos 2 mil engenheiros especialistas para enviar ao exterior”, explicou Hatano, que participou do painel Infraestrutura e Agronegócio. “Não somos apenas financiadores, também colocamos a ‘mão na massa’, e é importante que tenhamos um parceiro financiador local, no caso do Brasil, o BNDES, por exemplo.

As áreas de atuação da Join são concentradas em trem de alta velocidade (trem-bala), metrôs, pontes, logística, offshore, terminais portuários, aeroportos e desenvolvimento urbano. Porém, para estabelecer PPPs no Brasil, o presidente da Join estabeleceu condições.

“O governo brasileiro precisa estar comprometido e dar suporte. Além disso, a falta de transparência em um país é um empecilho para que empresas japonesas invistam”, alerta o presidente.

Takao Omae, presidente do subcomitê da Keidanren, atuou como mediador no painel. Omae disse que “melhorar a infraestrutura é um assunto da maior importância para o Brasil, o que pode ocorrer com contribuição e apoio financeiro do Japão”. Omae citou a participação japonesa em projetos no Brasil, como o metrô em São Paulo.

O secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), órgão que faz parte do Ministério do Planejamento, Maurício Carvalho, ressaltou que as oportunidades podem surgir dentro do Programa de Investimento em Logística, lançado pelo Governo Federal este ano para modernizar aeroportos, rodovias, ferrovias e portos.

Com previsão de investimentos de R$ 198,4 bilhões, o programa do governo prevê concessões à iniciativa privada. Desse total, RS 69,2 bilhões devem ser aplicados entre 2015 e 2018.

No encerramento do encontro, Masami Ijima, presidente do Comitê de Cooperação Econômica Japão-Brasil, Seção Japonesa, confirmou o empenho de sua equipe de trabalho em relatar ao governo japonês os avanços das negociações em nível de investimentos privados no Brasil.

“Temos até dezembro, quando a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, visitará o Japão para apresentar a redação final dos acordos que podem ser trabalhados em âmbito privado, sem depender da regulação dos dois governos”, disse Ijima.

Esse acordo também inclui uma negociação para que profissionais brasileiros, sem origem japonesa, tenham uma melhor aceitação no mercado de trabalho japonês.

Quinto principal destino das exportações brasileiras, Japão também é visto como potencial fonte relevante de recursos que poderiam ser alocados em projetos de infraestrutura, energia e mineração no Brasil.

A aproximação entre os dois países deve ganhar força ao longo deste ano. Além da visita de da presidente Dilma ao Japão, o príncipe herdeiro japonês Naruhito está programado para visitar o Brasil ainda este ano, como parte das comemorações dos 120 anos das relações diplomáticas entre as duas nações.

Fontes: Jornal Gazeta do Sul | ZH Economia.

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