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Dólar dispara e fecha perto de R$ 3,70 por preocupação fiscal e China

O dólar subiu pela terceira vez seguida e atingiu o maior valor de fechamento em quase 13 anos.

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Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou quase 2% sobre o real nesta terça-feira (1) e fechou no maior patamar em 13 anos, encostado em R$ 3,70, refletindo a deterioração do cenário fiscal brasileiro e as renovadas preocupações com a economia da China, o que gerou aversão ao risco nos mercados externos.

A moeda norte-americana subiu 1,68%, cotada a R% 3,6880 na venda, após alcançar R$ 3,7048 na máxima da sessão, maior patamar intradia desde 13 de dezembro de 2002, quando chegou R$ 3,7750.

Trata-se da terceira alta seguida e do maior valor de fechamento em quase 13 anos, desde 13 de dezembro de 2002, quando a moeda valia R$ 3,735.

Na véspera, o dólar havia subido 1,17%, a R$ 3,627, encerrando o mês de agosto com avanço de 5,91%, no segundo mês seguido de alta. No ano, o dólar acumula valorização de 38,71%.

Mercado externo
A atividade no setor industrial da China encolheu à taxa mais forte em ao menos três anos em agosto, mostrou o índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial, o que levou as principais bolsas internacionais fecharem no vermelho nesta terça-feira.

Preocupações com a economia chinesa, referência para investidores em mercados emergentes e importante parceiro comercial do Brasil, têm provocado apreensão nos mercados globais.

Cenário interno
Por conta da deterioração das contas públicas, o mercado demonstrava cada vez mais nervosismo sobre a perspectiva de que o Brasil acabe perdendo o chamado grau de investimento, uma espécie de selo de bom pagador atestado por agências internacionais de classificação de risco. A perda forçaria grandes fundos a retirar investimentos que possuem no país, agravando ainda mais o cenário econômico.

“A proposta de Orçamento com déficit para 2016 pegou muito mal”, disse Carlos Muller, analista-chefe da Geral Investimentos, ao jornal Folha de S.Paulo. Segundo ele, o documento consolidou o cenário de corte de ‘rating’ do país no futuro. O analista disse ainda que “não ficaria surpreso caso a redução na nota de risco do Brasil acontecesse ainda neste ano”.

Em relatório intitulado “Admitindo a Derrota”, a estrategista para a América Latina do grupo financeiro Jefferies, Siobhan Morden, afirmou que, ao admitir déficit primário para o ano que vem, o governo “completamente paralisa o processo de ajuste”. Ela ressaltou ainda que eventual saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, do governo não seria mais uma surpresa tão grande quanto há alguns meses, conforme noticiou a agência de notícia Reuters.

Um operador da corretora Intercam Glauber Romano disse a Reuters que “é provável que o dólar volte a ficar mais tranquilo no futuro”, mas advertiu que não vê motivos para que a moeda pare de subir nos próximos dias.

Atuações do Banco central no câmbio
Nesta manhã, o Banco Central brasileiro deu início à rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, com a venda integral de 9,45 mil contratos, equivalentes a venda futura de dólares. Se mantiver esse ritmo até o penúltimo pregão do mês, como de praxe, a autoridade monetária rolará o lote integral, correspondente a U$ 9,458 bilhões.

Na véspera, o BC fez leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, mas a intervenção não foi suficiente para evitar que a moeda norte-americana subisse mais de 1% sobre o real. Como nos últimos meses, a autoridade monetária não fez leilão de swaps cambiais no último pregão de agosto.

(Com informações da Agência Reuters e do jornal Folha de S.Paulo)

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