Sociedade

Resultado do Nobel da Paz frustra população pacifista do Japão

A premiação conferida ao indiano Satyarthi e a menina Malala frustrou àqueles que torciam pela vitória da “População japonesa que conserva o Artigo 9 da Constituição”.

Do Mundo-Nipo

O indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay ganharam o Nobel da Paz de 2014, anunciou a Academia Sueca nesta sexta-feira (10), frustrando àqueles que torciam pela vitória da “População japonesa que conserva o Artigo 9 da Constituição do Japão“, ou seja, os que apoiam a renúncia à guerra.

“Pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”, anunciou o comitê organizador do prêmio na manhã desta sexta-feira.

Satyarthi, de 60 anos, é um ativista de direitos das crianças na Índia e a menina Malala sobreviveu a uma tentativa de assassinato dos talibãs em 2012 por sua militância a favor da educação das meninas em sua região natal do noroeste do Paquistão.

Com o prêmio, Malala, de 17 anos, se torna a mais jovem ganhadora do Nobel, superando o cientista australiano-britânico Lawrence Bragg, que compartilhou o Prêmio de Física com o pai, em 1915, aos 25 anos. Em sua conta no microblog Twitter, Malala disse: “Obrigada por todo apoio e amor”.

Depois de receber tratamento médico intensivo, Malala se mudou para o Reino Unido. Em 2013, ela recebeu o prêmio Sakharov para a liberdade de consciência, concedido pelo Parlamento Europeu.

“As crianças precisam ir para a escola e não serem exploradas financeiramente. Nos países pobres do mundo, 60% da população atual tem menos de 25 anos. É pré-requisito para um desenvolvimento global pacífico que os direitos das crianças sejam respeitados”, disse o presidente do Comitê Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland.

De todos os todos os prêmios atribuídos durante a semana Nobel no mês de outubro, nenhum era mais aguardado e falado que o prêmio da paz. Embora a jovem Malala fosse uma das preferidas para o seleto prêmio, o resultado frustrou quem torcia para a “População japonesa que conserva o Artigo 9 da Constituição Pacifista do Japão.

O grupo diversificado tem lutado para preservar a norma constitucional que proíbe os japoneses de envolver-se em guerras. “Com o mundo envolvido em tantas guerras, tais grupos podem ser exatamente o que precisamos”, destacou ontem o famoso canal a cabo de notícias ‘Cable News Network (CNN)’, dos EUA.

“Os ativistas que esperavam o anúncio para o Nobel da Paz achavam que a academia iria honrar todos aqueles que apoiam a renúncia à guerra [Artigo 9 da Constituição Japonesa], no entanto, ficaram decepcionados ao saber do resultado”, diz o trecho de uma publicação do jornal japonês ‘The Japan Times’.

A publicação ressalva que os ativistas, no entanto, aplaudiram a decisão da Academia Sueca, citando “que o prêmio tornou-se desafiador”, e que o grupo planeja mais uma vez designar a causa para o Nobel da Paz em 2015.

 

Reinterpretação da Constituição Pacifista do Japão

Os partidos governistas do país concordaram, em julho, renunciar ao artigo 9º da Constituição Pacifista do Japão, que diz que: “Aspirando sinceramente a uma paz internacional baseada na justiça e na ordem, o povo japonês renuncia para sempre à guerra como direito soberano da nação, assim como à ameaça ou ao uso da força como meio para resolver os conflitos internacionais”.

A recente modificação da Carta Magna que permite pela primeira vez ao Japão exercer o chamado direito de “autodefesa coletiva”, foi aprovada em meio a fortes protestos, uma histórica modificação de sua Constituição pacifista.

Japoneses de vários grupos cívicos, sindicados, associações de profissionais e sobreviventes dos bombardeios atômicos de 1945 se opõe a grande reforma da política de segurança do Japão, realizando várias manifestações em todo o pais.

Pesquisas efetuadas por diversos meios mostram que a maioria da população japonesa considera as mudanças introduzidas por Abe como um “ataque ao pacifismo japonês”, o que rendeu à população uma indicação ao Nobel da Paz.

 

Confira abaixo algumas fotos de protestos ocorridos este ano no Japão pela manutenção do Artigo 9 da Constituição:

Fotos: Aflo Images   

Protestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do Japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 

Protestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 

Protestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 

Protestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 

Protestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 

Protestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 

Protestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 

PProtestos em Tóquio contra reinterpretação da Constituição pacifista do japão (Foto: Arquivo/Aflo Images)

 


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