Ciência e Saúde

Mais de 100 menores desenvolveram câncer de tireoide em Fukushima

A proporção das crianças afetadas é de 30 em cada 100.000 em Fukushima.

Do Mundo-Nipo com agências

Um relatório do comitê de investigação sanitária da prefeitura de Fukushima revelou que 103 crianças e adolescentes da região – com idades até 17 no momento do desastre em março de 2011- desenvolveram câncer de tireoide. A relação com o desastre nuclear, no entanto, ainda não foi confirmada.

 

Crianças desenvolveram câncer de tireoide em Fukushima (Foto: Kyodo)

A proporção das crianças afetadas é de 30 em cada 100.000 em Fukushima (Foto: Kyodo)

 

 

Os dados referem-se às análises feitas até 30 de junho entre as 300.000 pessoas submetidas a análises na província de Fukushima (nordeste) e que eram menores na altura do acidente nuclear.

O número de casos de câncer confirmados após a cirurgia é de 57 atualmente. Os 46 casos restantes não são 100% seguros, mas a probabilidade é muito alta.

A proporção de crianças da província de Fukushima afetadas é de 30 em cada 100.000, mas não existe uma base de referência para esta região, o que impede comprovar se ocorreu um aumento desde o acidente nuclear de março de 2011.

Os especialistas designados pelas autoridades do governo tendem a pensar que estes casos de câncer não têm relação direta com o desastre.

“Dificilmente é possível estabelecer uma relação de causa e efeito, mas é necessário, no entanto, seguir com os exames porque a proporção de descoberta de tumores aumenta com a idade, também em tempo normal”, declarou o professor Shunichi Suzuki, da faculdade de medicina da cidade de Fukushima, na apresentação dos resultados, na tarde de domingo.

Esta opinião se baseia, entre outros, em dados comparativos, sobretudo com o caso da catástrofe de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia.

No entanto, os pais das crianças afetadas não conseguem evitar pensar que a causa é a exposição às radiações – sobretudo ao iodo 131 – nos primeiros dias após o acidente.

A tireoide é uma esponja de iodo (matéria-prima para a fabricação dos hormônios da tireoide), principalmente nas crianças em crescimento. Por isso, esta glândula é particularmente vulnerável às emissões de iodo 131 radioativo em caso de acidente nuclear.

Assim, é recomendada a absorção de iodo estável com o objetivo de saciar e inclusive saturar de antemão a tireoide. Esta medida não foi aplicada no caso de Fukushima.

As autoridades japonesas decidiram há pouco tempo fornecer iodo estável aos habitantes residentes próximos à instalações nucleares, já estas que podem voltar às atividades em um futuro próximo no Japão.

(Com Informações da France Presse)

 


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