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Números 4 e 9 e seus significados na cultura japonesa

Os japoneses são um dos povos mais supersticiosos do mundo, e os números 4 e 9 são os seus maiores temores.

Quem está familiarizado com a tradição e a cultura japonesa sabe que os habitantes mais supersticiosos deste país normalmente não gostam do número 4 e nem do número 9. Ambos números estão associados ao azar, e por isso não é de todo incomum que sejam omitidos em certos espaços como hotéis ou hospitais.

Superstições com números são transversais a quase todas as culturas. O número 7, por exemplo, é visto em muitas partes do mundo ocidental como o número da sorte, numa tradição que já vem pelo menos desde a Antiguidade Grega.

Ao longo do tempo, o 7 acabou por ser sempre associado a coisas positivas e tornou-se também uma referência enquanto unidade (7 dias da semana, 7 cores no arco-íris, 7 maravilhas do mundo, etc.), o que acabou por contribuir para que esta crença se prolongasse durante vários séculos, até aos dias de hoje.

Por outro lado, o número 13 é quase universalmente reconhecido como o número do azar, sendo que até há um nome para denominar o medo irracional por este número: triscaidecafobia.

Apesar de não se saber ao certo de onde vem esta associação, há várias teorias para explica-la, sendo que a mais forte parece ser o fato de Judas ter sido a 13ª pessoa a chegar à Última Ceia.

E no Japão, qual a origem do temor dos números 4 e 9? A resposta é simples: está relacionado com a fonética.

Número 4
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O número 4 pode ser pronunciado como shi, o que faz com que tenha uma fonética idêntica à da palavra japonesa que significa morte. Essa similaridade com um termo com uma carga negativa tão forte fez com que o número fosse mal visto e passasse a ser evitado em certos contextos.

Curiosamente, isso faz com que o número 43 possa ter um significado parecido com natimorto (aquele que nasce morto): shizan = morte ou morrer + parto. Por isso, não é de se estranhar que certas maternidades japonesas não tenham o quarto número 43.

Essa semelhança fonética fez ainda com que as pessoas preferissem por pronunciar o número 4 como yon, de forma a fazer uma distinção clara.

Nos elevadores de hospitais e hotéis não há o número 4, algo como se não existisse o quarto andar. No painel dos elevadores, logo após o número três vem o 3A ou simplesmente 5 aparece logo após o 3.

Número 9
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Por sua vez, o número 9 pode ser pronunciado ku, que tem uma sonoridade bastante semelhante à palavra japonesa utilizada com o sentido de sofrimento. A lógica por trás da associação do 9 ao azar é exatamente a mesma, e a pronúncia alternativa kyu costuma ser preferida para evitar confusões e mal-entendidos.

Estes exemplos mostram a forma como as superstições podem estar intimamente relacionadas com a linguagem, sendo que, neste caso, essa ligação resulta de um fenômeno linguístico chamado homofonia – palavras homófonas são palavras que apesar de se escreverem de maneira diferente e de terem significados diferentes, são pronunciadas da mesma forma.

No caso específico da cultura japonesa, grande parte das superstições estão de fato relacionadas com fenômenos linguísticos de vários tipos.

A ausência do número quatro é evitada em painéis de elevadores no Japão | Foto: Montagem Mundo-Nipo / Creative Commons

De modo geral, os números quatro e nove são amplamente evitados, principalmente, em elevadores e em placas de automóveis. Além disso, pais supersticiosos mudam a data de nascimento dos filhos que nascem no dia quatro.

Outras superstições

Manekineko (Gato que acena)
Comumente chamado de Gato da sorte e Gato do dinheiro, Manekineko é uma figura bastante popular no Japão e em vários outros países asiáticos. Trata-se da escultura de um gato com uma pata levantada – como se estivesse a acenar – que geralmente é colocada na entrada de lojas e restaurantes. Acredita-se que estas pequenas figuras atraiam dinheiro e clientes.

Nome escrito em vermelho
Os japoneses evitam escrever seu nome ou o nome de outras pessoas com tinta vermelha. Isso porque, quando uma pessoa casada morre antes do seu cônjuge, o nome do cônjuge vivo também pode ser gravado na lápide com as letras pintadas de vermelho. Essa é uma forma de poupar custos, uma vez que só é necessário gravar os nomes uma vez. Assim, quando o segundo cônjuge morrer e for enterrado, basta remover a tinta vermelha da lápide.

Aranhas
Dependendo do momento do dia, ver uma aranha pode ser tanto sinal de sorte como de azar. De manhã, as aranhas são sinal de fortuna e devem ser mantidas vivas. À noite, é exatamente o oposto: são sinônimo de azar e os japoneses costumam matá-las.

== Mundo-Nipo (MN)