História do Japão

Imigração japonesa no Brasil

A imigração japonesa no Brasil iniciou em 18 de junho de 1908, quando o navio Kasato Maru aportou em Santos com 781 japoneses.

Foi no dia 18 de junho de 1908 que o navio Kasato Maru atracou no porto de Santos, no sudeste do Brasil, trazendo 165 famílias japonesas com um total de 781 imigrantes. A chegada desses primeiros japoneses ao território brasileiro deu início a imigração japonesa em solo brasileiro de forma oficial, como parte de um acordo imigratório entre Brasil e Japão.

Navio Kasato Maru no porto de Santos em 1908 | Foto: Domínio Público

Esse início de imigração ocorreu em consequência das necessidades decorrentes dos problemas que os dois países vinham atravessando no início do século XX. O Brasil estava se desenvolvendo economicamente, principalmente na agronomia, e precisava de mão-de-obra para as lavouras e cafezais, enquanto o Japão era acometido por uma forte crise econômica e crescimento populacional demasiado.

Movimento imigratório

O Japão estava superpovoado no início século XX. O país tinha ficado isolado do Mundo durante os 265 anos do período Edo (Xogunato Tokugawa), sem guerras, mas com epidemias trazidas do exterior ou emigração. Com as técnicas agrícolas da época, o Japão produzia apenas o alimento que consumia.

Cartaz japonês de incentivo a imigração japonesa para o Brasil no início do século XX| Foto: Domínio Público

O fim do Xogunato Tokugawa deu espaço para um intenso projeto de modernização e abertura para o exterior durante a Era Meiji, quando começou o movimento chamado Revolução Meiji. Apesar da reforma agrária, a mecanização da agricultura desempregou milhares de camponeses. Muito deles ficaram endividados ou perderam suas terras por não poderem pagar os altos impostos.

No campo, os lavradores que não tiveram as terras confiscadas mal conseguiam sustentar a família. Os camponeses sem terra foram para as principais cidades, que ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.

A política emigratória colocada em prática pelo governo japonês tinha como principal objetivo aliviar as tensões sociais devido à escassez de terras cultiváveis e endividamento dos trabalhadores rurais, permitindo assim a implementação de projetos de modernização.

A partir da década de 1880, o Japão incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos. Antes do Brasil, já havia emigração de japoneses para os Estados Unidos, Peru e México.

Acordo imigratório

Através de um acordo entre Brasil e Japão, mais precisamente do Governo de São Paulo que, para suprir as necessidades de ambas nações, foi feito o acordo imigratório.

Assim que desembarcavam no porto de Santos, os imigrantes japoneses eram levados de trem para a cidade de São Paulo, onde era revelado o destino de cada família | Foto: Domínio Público

Os imigrantes, em sua maioria, eram camponeses das regiões pobres do sul e norte do Japão. Acostumados com a vida difícil que tinham em seu país de origem, os japoneses conseguiram com muito esforço se adaptar a árdua vida nas lavouras, mas se depararam com a diferença do clima, comida, costumes, idioma, religião, além de preconceitos, dificultando assim a integração entre os dois povos na época.

Mediante isso, muitas famílias queriam retornar ao país de origem, mas eram impedidas devido aos contratos de trabalho favorável somente aos fazendeiros.

Imigrantes japoneses trabalhando na colheita de café em solo brasileiro no início do século XX | Foto: Domínio Público

Os primeiros imigrantes japoneses sofreram muito no Brasil, tanto que, logo após o término dos respectivos contratos, a maioria deixava as fazendas, mas poucos conseguiam retornar para o Japão. Alguns, no entanto, alcançaram o intento de adquirir suas próprias terras, desbravando regiões desocupadas em São Paulo e criando um eixo até o Paraná.

Ainda assim, imigrantes nipônicos continuavam a chegar em grandes proporções no Brasil, incentivados pelo governo japonês devido ao acordo entre os dois países, que foi interrompido com o início da Segunda Guerra Mundial, nos anos de 1940.

Centenas de imigrantes japoneses se amontavam pelo chão enquanto esperavam acomodações na Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo | Foto: Domínio Público

Foi nessa época que os imigrantes japoneses mais sofreram em terras brasileiras, onde eram perseguidos, acusados de espionagem, impedidos de falar o próprio idioma, de escutar rádio e de, até mesmo, estudar.

Há relatos em jornais da época em que crianças japonesas, até mesmo as nascidas no Brasil, foram impedidas de frequentar escolas.

No entanto, com o fim da Segunda Guerra Mundial, os japoneses aos poucos foram se restabelecendo, mas só em 1952 é que os imigrantes realmente puderam progredir, isso porque nesse ano foi assinado o “Tratado de Paz entre Brasil e Japão”, e assim a imigração japonesa retomou sua oficialização.

Mediante isso, mais imigrantes chegaram ao país, porém, com uma melhor sorte porque eram contratados para trabalhar nas fazendas administradas por japoneses.

Atualmente, o Brasil tem muito da tecnologia japonesa aplicada em várias áreas, sendo beneficiado também com a inclusão da cultura japonesa, tais como culinária, arte e tantas outras riquezas culturais que, junto com o trabalho quase que escravo de imigrantes japoneses, ajudou construir a nação brasileira.

Hoje, o Brasil detém a maior população de japoneses e descendentes fora do Japão.

*Saiba mais sobre o navio Kasato Maru, que será resgatado no mar de Bering, em águas russas próximas da Península de Kamchatka, onde afundou após ser bombardeado por russos, em 1945.

Por Maria Rosa (artigo criado originalmente em 2008).
Principais fontes de pesquisa
• Livro História da cultura japonesa | Autor: José Yamashiro
• Site oficial da Embaixada do Japão no Brasil
• Jornal Estadão

Atualizado em 18/06/2021.

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