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Dólar recua e fecha abaixo de R$ 2,70 diante de rumores sobre Petrobras

O mercado reagiu a rumores sobre a troca de comando da Petrobras, com a possível saída da presidente Graça Foster.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar recuou ante o real nesta terça-feira (3) e voltou a fechar abaixo de R$ 2,70 após quatro pregões consecutivos de alta, reagindo a rumores sobre a troca de comando da Petrobras, com a possível saída da presidente da estatal, Graça Foster. No mercado externo, o movimento refletia a maior demanda por ativos de risco em meio à esperanças de um acordo que resolva o impasse em torno da dívida da Grécia, além da forte alta dos preços do petróleo.

A moeda norte-americana encerrou o dia com desvalorização de 0,78%, cotada a R$ 2,6940 na venda, após chegar a atingir R$ 2,6885 na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro foi fraco, em torno de US$ 451 milhões contra US$ 1,3 bilhão na véspera.

Rumores sobre a troca de comando da Petrobras animou os investidores. A aposta na saída de Graça Foster levou a uma recuperação das ações da estatal, que foi acompanhada pelo fortalecimento do real. De acordo com a Agência Valor Online, o avanço dos papeis da estatal acontece mesmo com a Fitch tendo rebaixado o rating da empresa para um degrau acima do grau de investimento com perspectiva negativa, se igualando à Moody’s.

Entre os nomes que circulam no mercado para substituir Graça Foster está o do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Ainda de acordo com o Valor, Graça se reuniu hoje à tarde com a presidente Dilma Rousseff e seu destino pode ser resolvido ainda hoje. “A troca de comando da Petrobras pode ser o primeiro sinal de ação contra essa onda de pessimismo com a empresa. E isso mexe com prêmio de risco, o que por sua vez influencia o real”, afirma o estrategista de um banco estrangeiro.

Lá o fora, o dólar caía frente às principais divisas com a notícia de que o novo governo grego revelou um plano para renegociar a dívida com os credores.

O ministro das Finanças Yanis Varoufakis, disse que a Grécia considera uma troca de dívida que iria resultar em mais prazo para os vencimentos dos bônus gregos, vinculando os pagamentos ao crescimento futuro.

Os dados abaixo do esperado de encomendas à indústria nos Estados Unidos também colaboraram para a queda do dólar frente às principais divisas emergentes, reforçando as apostas de o Federal Reserve pode adiar a alta da taxa básica de juros nos Estados Unidos.

As encomendas à indústria nos EUA caíram 3,4% em dezembro, superando a previsão dos analistas, que esperavam queda de 2,5% no período.

As moedas emergentes ainda foram amparadas hoje pela recuperação dos preços do petróleo, que subiram com rumores sobre a redução no número de plataformas e poços em operações nos Estados Unidos.

No mercado local, o dia foi de recuperação depois de o real ter registrado uma perda de 5,36% ante o dólar nas últimas quatro sessões. Para efeito comparativo, o índice MSCI para moedas emergentes recuou no período 1,25%.

Apesar da recuperação de hoje, investidores seguem cautelosos com a moeda brasileira, em meio à preocupação com a atividade e com o cumprimento da meta fiscal por parte da nova equipe econômica diante do risco de racionamento de energia cada mais evidente.

Além disso, há preocupações de que a onda de afrouxamento monetário nos demais países emergentes, referendada hoje pela Austrália, leve o BC a reduzir o ritmo de aperto monetário, o que pode afetar o esforço da autoridade monetária de melhorar o gerenciamento de expectativas junto ao mercado.

Na sessão passada, muitos investidores desmontaram apostas na queda do dólar que haviam feito nas primeiras semanas do ano. Agora, com muitas dúvidas sobre quanto ou em que direção a divisa norte-americana caminhará no curto prazo, esses agentes preferiram evitar fazer novas apostas.

Entretanto, o BNP Paribas revisou para cima a projeção para o câmbio em 2015, prevendo um dólar a R$ 3 no fim do ano. Entre os fatores que levaram o banco a antecipar a revisão da projeção, que inicialmente estava prevista para março, estão os dados de produção industrial e do setor público consolidado de 2014, além das evidências de que o racionamento de energia é iminente.

No mercado local também aumentou a preocupação com uma redução das intervenções do Banco Central no câmbio desde que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse na semana passada “que não há intenção de manter o câmbio artificialmente valorizado”.

Entretanto, uma fonte da equipe econômica afirmou à Agência Reuters nesta terça-feira que o BC não tem intenção de mudar o rumo de suas atuações no câmbio, pelo menos por enquanto, e mantém em aberto a possibilidade de estender suas intervenções diárias no mercado para além de março.

Atuações do Banco Central no câmbio

O BC vem atuando diariamente desde agosto de 2013 para limitar a volatilidade e oferecer proteção cambial. Sob a atual forma do programa de intervenções, as ofertas diárias de até 2 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, durarão pelo menos até 31 de março.

Nesta manhã, a autoridade monetária vendeu a oferta total pelas rações diárias, com volume correspondente a US$ 97,9 milhões. Foram vendidos 200 contratos para 1º de dezembro e 1.800 para 1º de fevereiro de 2016.

O BC também vendeu a oferta integral de até 13 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de março, equivalentes a US$ 10,438 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 12% do lote total.

(Com informações das Agências Reuters e Valor Online)

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