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Dólar renova máxima e fecha acima de R$ 2,92 pela 1ª vez em 10 anos

A moeda norte-americana encerrou na máxima da sessão, com valorização de 1,14%.

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Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar subiu mais de 1% ante o real nesta terça-feira (3), a segunda alta seguida, e fechou acima de R$ 2,92 pela primeira vez em mais de dez anos, com os investidores testando a tolerância do Banco Central ao fortalecimento da moeda norte-americana, em meio às persistentes preocupações sobre a implementação das medidas de ajuste fiscal e diante da perspectiva de que a inflação feche 2015 acima de 7% e a economia encolha.

A moeda norte-americana encerrou na máxima da sessão, com valorização de 1,14%, cotada a R$ 2,9280 na venda, após subir 1,37% na véspera. Trata-se do maior valor desde 2 de setembro de 2004, quando a moeda fechou cotada a R$ 2,903.

Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro melhorou, ficando em torno de US$ 1,4 bilhão, contra cerca de US$ US$ 700 milhões na segunda-feira.

No mercado externo, o dólar operava em queda frente às principais divisas, com os investidores ainda repercutindo os dados mais fracos que o esperado da economia americana divulgados ontem. A notícia de que a Arábia Saudita elevou o preço do petróleo para Ásia e Estados Unidos contribuiu para a alta da commodity, e ajudou a sustentar a valorização das moedas emergentes.

No Brasil, logo na reta final da sessão, o dólar ampliou os ganhos, em meio a especulações sobre a lista preparada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com os políticos envolvidos na operação Lava-Jato a ser enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Com isso, o cenário político mais uma vez influenciou o comportamento dos investidores no mercado brasileiro, que recebeu mal a ausência do presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), em jantar promovido ontem à noite pela presidente Dilma Rousseff à cúpula do principal partido da base aliada do governo.

O fato contribuiu para aumentar a preocupação dos investidores sobre a capacidade do governo em garantir apoio político à aprovação das medidas fiscais, vistas como essenciais para a recuperação da confiança dos investidores e evitar um rebaixamento do rating soberano brasileiro.

A falta de Calheiros antecedeu a discussão prevista para hoje à noite no Congresso sobre vetos presidenciais, entre eles o reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR). O resultado será um importante termômetro sobre o grau de fidelidade da base aliada à presidente Dilma.

Além disso, o governo terá que gerenciar o encaminhamento dos pedidos de abertura de inquérito contra políticos envolvidos na “Operação Lava-Jato” pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o que pode atrapalhar as negociações com o PMDB. Até o fim da semana, o ministro Teori Zavascki deve divulgar os nomes à imprensa.

A implementação do ajuste fiscal é essencial para o Brasil evitar o rebaixamento do rating soberano. Neste mês, o governo recebe a visita das agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Fitch Ratings que irão avaliar melhor o atual quadro fiscal.

Outro fator que tem contribuído para aumentar a pressão sobre o câmbio é a preocupação com redução da atuação do Banco Central no mercado de câmbio, após a autoridade monetária ter sinalizado que poderá não renovar integralmente o lote de US$ 9,964 bilhões de contratos de swap cambial que vence em abril.

A possibilidade da rolagem parcial desse lote foi vista pelo mercado como um primeiro sinal do BC de que poderá reduzir as atuações no câmbio, podendo encerrar o programa da ração diária que foi estendido até o fim de março.

Segundo analistas, à medida que o mês se aproximar do fim, investidores devem pressionar cada vez mais a autoridade monetária a se posicionar sobre o futuro do programa de ofertas diárias.

Contudo, nesta manhã, o BC deu continuidade às intervenções diárias, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps (equivalentes à venda futura de dólares), com volume correspondente a US$ 98,3 milhões. Foram vendidos 1.400 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 600 para 1º de fevereiro de 2016.

O Bc também realizou mais um leilão para rolar parte dos contratos que vencem em 1º de abril. Foram vendidos 7.400 contratos, sendo 3.450 com vencimento em 1º de abril de 2016, e os outros 3.950 para 1º de junho do ano que vem.

A operação movimentou o equivalente a US$ 358,9 milhões. Ao todo, o BC já rolou o equivalente a US$ 718 milhões, ou cerca de 7% do lote total, correspondente a US$ 9,964 bilhões.

(Com informações das Agências Valor Online e Reuters)

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