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Japão registrou 26 casos de tráfico de pessoas em 2015

Estima-se que deva existir atualmente cerca de 54 mil vítimas de tráfico humano no Japão…

O número de casos confirmados como tráfico humano registrados no Japão totalizou 26 em 2015, informou nesta segunda-feira (4) o Ministério da Justiça do país, acrescentando que a maioria era mulheres de origem filipinas.

Por nacionalidade, 17 das vítimas eram das Filipinas, oito da Tailândia e uma do Sri Lanka. Desse total, vinte e três eram mulheres.

O Ministério informou que concedeu permissão especial de visto permanente para 11 das vítimas que se encontravam ilegalmente no país, bem como ajudou na repatriação de algumas delas com base nas diretrizes das leis japonesas.

O Japão tem visto um número crescente de crianças nipo-filipinas (JFC, na sigla em inglês), nascidas entre pais japoneses e mães filipinas. Em casos anteriores, muitas filipinas tinham sido levadas para o Japão com a promessa de atuar no país como cantoras ou dançarinas, mas acabaram sendo forçadas a trabalhar como recepcionistas em boates e restaurantes, onde os donos deduzem o “custo de vida” de seus salários.

O pouco que sobra mal dá para o próprio sustento e a ilegalidade acaba levando a maioria para a prostituição, segundo a Lighthouse, (Center for Human Trafficking Victims), uma organização não governamental atuante no enfrentamento ao tráfico de pessoas

Em fevereiro de 2015, a operadora de uma casa noturna na província de Gifu foi indiciada por forçar mães de crianças nipo-filipinas a trabalharem ilegalmente no Japão.

O número de JFC que se tornaram vítimas de trabalhos forçados aumentou desde que a lei japonesa que rege o reconhecimento de cidadania foi revisada em 2009. Essa lei concede nacionalidade japonesa a crianças que têm laços biológicos de pais estrangeiros com japoneses comprovados.

A Lighthouse explica que o tráfico acontece na maioria das vezes com propostas de emprego e estudo em outras cidades e países, o que podem resultar em trabalho forçado e prostituição por parte de aliciadores. A organização estima que deva existir atualmente cerca de 54 mil vítimas de tráfico humano no Japão.

“O âmbito de atos que são reconhecidos como tráfico de seres humanos ainda é limitado no Japão”, disse o representante Shihoko Fujiwara, presidente da Lighthouse, acrescentando que muitas dessas pessoas não podem pedir ajuda por viver, em sua maioria, em ilegalidade no país.

Divulgado no mês passado, o relatório da Comissão das Nações Unidas sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres levantou sérias preocupações sobre as vítimas de exploração laboral ou sexual no Japão.

Fontes: Agência Kyodo | Jornal The Asahi Shinbum.

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