Notícias

Governo do Japão se mobiliza contra falsificação de documentos oficiais

Foto: Wikimedia Commons

Mobilização ocorre após série de escândalos envolvendo Ministérios e órgãos do governo de Abe.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, instruiu seus ministros a elaborarem rapidamente “medidas concretas” para prevenir o manuseio inadequado de documentos oficiais, uma ordenança que ocorre após a uma série de escândalos envolvendo Ministérios e órgãos de seu governo.

Nesta terça-feira (5), Abe se reuniu em seu Escritório com todos os líderes ministeriais sob seu comando. Segundo declarações do porta-voz do Governo e secretário-chefe de Gabinete, Yoshihide Suga, o líder da terceira maior economia mundial lamentou a série de “incidentes” que prejudicaram a confiança da população no Governo.

Os escândalos incluem falsificação e destruição de documentos do Ministério das Finanças relacionados a uma controversa transação imobiliária com a administradora de escolas particulares Moritomo Gakuen.

Saiba mais
» Premiê japonês pede desculpas pela série de escândalos em seu governo

» Apoio ao premiê do Japão despenca após escândalo de corrupção
» Premiê do Japão quer reconquistar confiança do público
» Japão admite falsificação de documentos envolvendo Shinzo Abe

O Ministério da Defesa também foi criticado por não ter sido capaz de informar rapidamente a descoberta dos registros de atividades diárias da Força Terrestre de Autodefesa no Iraque. O ministério disse inicialmente que os registros não existiam mais.

Abe ordenou que os ministros tomem medidas concretas para assegurar que funcionários do governo cumpram as leis e regulamentos. Ele também pediu que o uso de arquivos digitais seja ampliado.

Funcionários do governo irão elaborar medidas específicas em cerca de um mês. Eles pretendem esclarecer até que ponto cada ministério pode revisar seus documentos internos legalmente.

Outro plano é nomear um administrador em nível de chefia de departamento no Escritório do Gabinete para supervisionar a forma como documentos são manuseados em todos os ministérios e agências governamentais.

Na segunda-feira (4), o ministro de Finanças do Japão, Taro Aso, anunciou que devolverá um ano de salário para assumir sua responsabilidade em uma falsificação de documentos no seu ministério.

Aso, que também ostenta o cargo de vice-primeiro-ministro, disse em entrevista coletiva em Tóquio que renunciará a 12 meses da sua remuneração “pelo fato de que a credibilidade do Ministério de Finanças e, por sua vez, a do Governo foram comprometidas”.

O veterano político de 77 anos, um dos nomes de mais peso no Executivo de Abe, voltou a pedir perdão pela manipulação, à qual descreveu como um ato “lamentável” e “extremamente inadequado”, mas reiterou que não planeja renunciar e que liderará o ministério para evitar que se repita um caso parecido.

Escândalos nos Ministérios
Uma autoridade do alto escalão do Ministério das Finanças pediu demissão em abril após alegações de assédio sexual. O ministério também tem sido criticado pela falsificação de documentos na venda de um terreno estatal para a operadora de uma escola, na qual há acusações de que a primeira-dama, Akie Abe, estaria envolvida.

O Ministério da Defesa também está sob pressão sobre o manejo de registros de atividades da Força Terrestre de Autodefesa em sua missão no Iraque.

Fontes: Canal NHK News Japan | Kyodo News.