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Dólar reflete dados ruins de empregos nos EUA e tem 5ª queda seguida ante o real

A moeda dos EUA já desvalorizou 3,65% nas últimas cinco sessões.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar fechou em queda ante o real nesta segunda-feira (6), quinto pregão consecutivo de recuo, com o mercado reagindo ao decepcionante relatório de empregos nos Estados Unidos, divulgado na sexta-feira, o que levou os investidores a cortar apostas de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) elevará logo as taxas de juros no país, que se mantêm perto de zero desde o fim de 2008.

A moeda norte-americana caiu 0,22% e encerrou cotada a R$ 3,1223 na venda, após cair 1,36% na quinta-feira, ultimo dia de negociações na semana passada, já que o mercado não operou na sexta-feira em virtude do feriado de Páscoa.  Nas últimas cinco sessões, a divisa dos EUA já desvalorizou 3,65% em relação à moeda brasileira.

Segundo dados da BM&FBovespa, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 1,8 bilhão. Na quinta-feira, o o giro foi em cerca de US$ 1,9 bilhão.

Na sexta-feira, com os mercados fechados devido ao feriado de Páscoa, o Departamento de Trabalho dos EUA informou que a taxa de desemprego no país se manteve estável em 5,5% em março. Foram criados 126 mil postos de trabalho, menos que o esperado, de 245 mil vagas. A abertura de novas vagas é a menor registrada desde dezembro de 2013. O balanço de fevereiro foi revisado para 264 mil novas vagas, inferior às 295 mil divulgadas anteriormente

Os indicadores decepcionantes elevaram as preocupações sobre a recente desaceleração do crescimento econômico norte-americano e as apostas na postergação do início do processo de elevação da taxa de juros no país.

“O dado veio bem mais fraco que o esperado, com praticamente todas as informações ruins (…) Aqui, o mercado estava fechado, então a correção se dá hoje”, disse à agência Reuters o economista sênior do Besi Brasil Flavio Serrano.

De acordo com a agência Valor Online, analistas acreditam que o momento é de volatilidade no mercado de câmbio, com a moeda devendo reagir aos dados econômicos nos Estados Unidos. Nesta segunda, o presidente do Federal Reserve de Nova York, Willian Dudley, disse que o momento da elevação da taxa de juros nos Estados Unidos ainda é incerto e depende dos dados econômicos. Ele ainda destacou que mesmo após ciclo de elevação, a política monetária continuará acomodatícia.

Em contrapartida, a Reuters destacou que a expectativa para esta semana é que a moeda norte-americana oscile menos ante o real, com o cenário político interno mais calmo e poucos indicadores com potencial de causar fortes movimentos.

“De uma forma ou de outra, o câmbio está se estabilizando e oscilando em um patamar mais restrito”, disse à Reuters o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, acrescentando que o cenário político no Brasil mais tranquilo colabora para a redução da volatilidade.

Para o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, o alívio verificado recentemente na taxa de câmbio reflete apenas uma correção pontual, dado o cenário mais favorável no exterior, mas a tendência é de desvalorização, vendo uma boa oportunidade de compra com um dólar abaixo de R$ 3,10. “O déficit em conta corrente ainda está muito alto e precisa se ajustar. Além disso, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ainda deve enfrentar muita resistência no Congresso para aprovar as medidas de ajuste fiscal”, afirmou Petrassi, de acordo com o Valor.

Atuações do Banco Central
Nesta manhã, o Banco Central vendeu a oferta integral de até 10,6 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 4 de maio, equivalentes a US$ 10,115 bilhões. Até o momento, a autoridade monetária já rolou cerca de 15% do lote total.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

Em março, o BC encerrou seu programa de atuações no mercado de câmbio, em que vendia, todo dia, novos contratos de swap com o objetivo de evitar um forte avanço da moeda norte-americana.

(Com informações das agências ‘Valor Online’ e ‘Reuters’)

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