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EUA proíbem consumo de bebida alcoólica aos seus militares no Japão

Além de dirigir embriagados, soldados dos EUA em Okinawa têm cometido vários crimes, incluindo estupro e assassinato de mulheres.

Os militares norte-americanos lotados em bases instaladas no território japonês estão proibidos de consumir bebidas alcoólicas em qualquer local no país, tanto dentro como fora de suas bases, anunciou nesta segunda-feira (6) o Exército dos Estados Unidos, em reposta aos vários incidentes provocados por seus soldados instalados em Okinawa, no sul do Japão, que inclui embriaguez durante condução de veículo, insultos a residentes locais e, principalmente, vários crimes envolvendo estupro e assassinato de mulheres, informou hoje a imprensa local e internacional.

O comportamento dos militares dos EUA tem sido alvo de protestos na estratégica ilha de Okinawa, o que tem afetado a então sólida relação entre os dois países.

Recentemente, os EUA se viram outra vez sob pressão depois que um de seus soldados no Japão ser acusado de abandonar o corpo de uma jovem, de 20 anos, em Okinawa. A polícia local suspeita que, além de matar, o soldado também teria estuprado a vítima, conforme noticiou a ‘Lusa’.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu, no mês passado, medidas para prevenir crimes de americanos. Os militares impuseram restrições incluindo o toque de recolher.

Ainda de acordo com a ‘Lusa’, Apesar das medidas, um oficial da Marinha dos EUA foi preso nesse último fim de semana em Okinawa. Segundo a polícia local, o militar, em estado de embriaguez, teria conduzido um veículo na contramão e “insultado acintosamente duas pessoas”.

Com o anúncio de hoje, todos os militares dos EUA lotados em bases no Japão “estão proibidos de consumir bebidas alcoólicas, tanto dentro como fora de suas bases, por um período indeterminado”, disse em comunicado as Forças Navais dos EUA no Japão, acrescentando que, em breve, “haverá outras restrições”, informou a agência ‘AFP’.

“Durante décadas, tivemos uma forte relação com o Japão”, afirmou Matthew Carter, comandante da Marinha dos Estados Unidos no Japão. “É imperativo que cada marinheiro perceba como as nossas ações afetam as relações e a aliança EUA-Japão como um todo”, acrescentou.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o incidente no fim de semana, envolvendo a conduta do oficial sob efeito de álcool, “é extremamente deplorável (…) principalmente por ter acontecido logo após os EUA terem prometido ampliar os esforços para reforçar a disciplina (dos soldados)”, de acordo com a agência Kyodo.

Enquanto isso, o porta-voz do governo japonês e chefe de gabinete, Yoshihide Suga, classificou o incidente como “escandaloso”.

Apesar da desaprovação em relação ao incidente, Suga declarou que o governo de Abe defende a continuação da polêmica construção de uma base militar dos EUA, que será transferida de uma outra já existente em Okinawa, reiterando a posição do governo de que essa é a “única solução para manter o potencial militar conjunto”, segundo a ‘Lusa’.

No domingo (5), os deputados contrários à reinstalação da base militar norte-americana na região de Okinawa ganharam a maioria dos lugares no Parlamento local.

A estimativa é que pelo menos 27 dos 48 assentos na Assembleia regional sejam ocupados por deputados  que votam contra a presença militar dos EUA na região de Okinawa, de acordo com o jornal ‘The Japan Times’.

O resultado da votação reforçará o mandato do governador de Okinawa, Takeshi Onaga, que tem tentado parar a construção da nova base na região de Henoko, na zona costeira da cidade de Nago. Em agosto de 2014, Onaga havia conseguido suspender a construção, destacou a ‘Agência Brasil’.

A base da Marinha norte-americana de Futenma é uma área densamente povoada da cidade de Ginowan. A base conta com cerca de 25 mil militares norte-americanos, mais 19 mil familiares e civis, de acordo com a informação divulgada pela prefeitura local.

Contudo, os habitantes de Okinawa planejam uma reunião geral para o final do mês. Eles pretendem, mais uma vez, protestar contra as bases militares dos EUA e contra o comportamento “deplorável” dos soldados norte-americanos na ilha, conforme noticiou o ‘The Japan Times’

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