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Coreia do Norte anuncia que lançou seu polêmico foguete com satélite

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Embora Japão tenha posicionado vários interceptores de mísseis, nenhum foi acionado. Vários fragmentos do projetil cruzaram o território japonês.

A Coreia do Norte anunciou que obteve sucesso ao colocar em órbita um satélite por meio de um polêmico foguete, do qual a comunidade internacional condena por considerar que o satélite é uma forma de camuflar um teste de mísseis balísticos e que faz parte de seu objetivo para obter mísseis nucleares, informou neste domingo (7) a agência ‘Kyodo’.

Horas depois do anúncio do governo do ditador Kim Jong-un, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos pediram de imediato uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que vai ter lugar na tarde deste domingo em Nova Iorque, de acordo com a ‘Kyodo’

O encontro acontece no momento em que as Nações Unidas já preparavam uma resolução para agravar as sanções contra a Coreia do Norte. As sanções são por conta do anúncio de Pyongyang em 6 de janeiro deste ano, no qual afirmou que realizou seu primeiro teste com uma bomba nuclear de hidrogênio.

Segundo informou a agência a ‘AFP’, horas depois do lançamento, Coreia do Sul e Estados Unidos anunciaram o início de negociações para preparar em território sul-coreano um sistema antimísseis americano THAAD, um dos mais modernos do mundo.

Desde que a Coreia do Norte anunciou o polêmico lançamento, Japão montou um forte esquema de segurança para proteger seu território, disponibilizando sistemas antimísseis em terra e mar. Vários destróieres Aegis equipados com mísseis interceptores SM3 já se encontravam à postos no Mar do Japão e no Mar da China Oriental desde o início da semana.

Citando informações colhidas junto às Forças de Autodefesa do Japão, a emissora estatal ‘NHK’ noticiou que uma parte do foguete teria caído no Mar Amarelo, a cerca de 150 quilômetros a oeste da península coreana. Duas outras partes caíram no Mar da China Oriental, aproximadamente 250 quilômetros a sudoeste da península.

O governo japonês calcula que uma outra parte tenha cruzado o espaço aéreo japonês, sobre Okinawa, e caído no Oceano Pacífico, a cerca de 2.000 quilômetros ao sul do Japão. É uma área fora da que havia sido mencionada pelo governo norte-coreano.

Uma quinta parte do artefato passou pelo espaço aéreo japonês e seguiu na direção sul. Embora interceptores de mísseis das Forças de Autodefesa tenham sido posicionados em Okinawa e na região metropolitana de Tóquio, nenhum foi acionado, informou a ‘NHK’ citando funcionários do governo japonês como fontes.

O lançamento, que ignorou as resoluções da ONU e as advertências das grandes potências, aconteceu um mês depois que a Coreia do Norte realizou seu quarto teste nuclear.

A ‘AFP’ informou que o foguete foi lançado da base de Dongchang-ri, no noroeste do país, às 9h locais, enquanto a ‘NHK’ informou que funcionários do governo japonês afirmaram que o lançamento ocorreu no domingo, à 0h31 pelo horário mundial.

O lançamento “colocou em órbita com sucesso nosso satélite de observação terrestre Kwangmyong 4”, anunciou a TV estatal da Coreia do Norte. Apesar disso, a colocação em órbita do satélite não foi confirmada, mas uma fonte da defesa americana disse que, aparentemente, “algo chegou ao espaço”, de acordo com a ‘AFP’.

A Coreia do Norte insiste em que o lançamento faz parte de um programa espacial exclusivamente científico, mas muitos países o consideraram um teste camuflado de um plano que busca dotar o regime de Pyongyang de mísseis intercontinentais capazes de transportar bombas atômicas a qualquer ponto do planeta.

Programa norte-coreano de testes de mísseis
“Os programas de mísseis e armas nucleares da Coreia do Norte representam sérias ameaças aos nossos interesses e à segurança de alguns dos nossos aliados mais próximos”, disse em Washington a assessora de segurança nacional da Casa Branca, Susan Rice. “Minam a paz e segurança da região.”

Em Seul, o tenente-general Thomas Vandal, comandante do Oitavo Exército dos Estados Unidos, com sede na Coreia do Sul, disse, na companhia de um funcionário sul-coreano, que era “hora de avançar” no tema da preparação do sistema antimísseis THAAD.

“Decidiu-se abrir oficialmente negociações sobre a possibilidade de preparar o sistema Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), dentro dos esforços para reforçar a defesa antimísseis da aliança Coreia do Sul/EUA”, declarou o representante do Ministério sul-coreano da Defesa Yoo Jeh-Seung.

Em Pequim, a porta-voz da chancelaria, Hua Chunying, manifestou “pesar pela insistência da República Democrática Popular da Coreia em realizar um lançamento de mísseis apesar da oposição internacional”.

“A Coreia do Norte tem o direito ao uso pacífico do espaço, mas este direito é limitado pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, lembrou a porta-voz chinesa.

A Rússia condenou o lançamento dizendo que se tratava de um duro golpe na segurança regional, incluindo a da Coreia do Norte.

“Pyongyang ignorou os chamados da comunidade internacional e voltou a cometer uma violação flagrante das normas do direito internacional”, assinala um comunicado da chancelaria russa.

O premier japonês, Shinzo Abe, classificou o lançamento de “absolutamente intolerável e uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, que proibiu Pyongyang de testar mísseis balísticos intercontinentais.

Em pronunciamento na TV, a presidente sul-coreana, Park Geun-Hey, disse que “o Conselho de Segurança da ONU deve aprovar rapidamente medidas de punição severas”.

A Grã-Bretanha condenou firmemente o lançamento, e a França pediu “uma resposta rápida e dura” do Conselho de Segurança da ONU, que terá uma reunião de emergência a portas fechadas neste domingo, a pedido de Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.

A última violação norte-coreana das resoluções da ONU que proíbem testes de mísseis e armas atômicas foi o teste nuclear de 6 de janeiro.

Especialistas céticos – Alguns especialistas duvidam da capacidade da Coreia do Norte de ameaçar o território de países como os Estado Unidos, uma vez que lançar um míssil intercontinental é relativamente simples em comparação com a tecnologia necessária para a reentrada controlada na atmosfera.

“A ogiva nuclear de um míssil intercontinental precisa retornar à Terra, e a Coreia do Norte nunca mostrou dispor da tecnologia que permita a um veículo resistir à reentrada na atmosfera”, explicou o engenheiro espacial John Schilling, que acompanhou de perto o programa norte-coreano.

Mas se conseguirem dominar esta tecnologia, “a ameaça norte-coreana, até hoje teórica, irá se tornar muito real e alarmante”, assinalou: Fonte: Agência AFP.

 

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