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Dólar tem forte alta e fecha no maior valor desde março, acima de R$ 3,23

Nas quatro últimas sessões, ó dólar já avançou 4,45% sobre o real.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou pelo quarto pregão consecutivo nesta quarta-feira (8) e fechou acima de R$ 3,23 pela primeira vez em mais de três meses, com os investidores procurando refúgio na moeda norte-americana diante de preocupação com a economia da China. O mercado acionário chinês registrou queda de 30% desde seu pico em junho, o que reforçou dúvidas sobre o rumo da segunda maior economia do mundo e principal destino de exportações brasileiras.

A moeda norte-americana encerrou o dia com valorização de 1,61%, cotada a R$ 3,2338 na venda, maior valor de fechamento desde 27 de março, quando a moeda dos EUA valia R$ 3,2405. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 700 milhões.

Nas quatro últimas sessões, a divisa acumulou alta de 4,45%. Na semana, a alta é de 3,01% e, no mês, de 4,02%. No ano, a valorização chega a 21,63%.

As bolsas de valores chinesas têm protagonizado uma queda livre nas últimas sessões, com empresas correndo para escapar do desastre ao ter suas ações suspensas e os principais índices acionários do país despencando, após o regulador alertar sobre um “sentimento de pânico” apoderando-se de investidores, noticiou mais cedo a agência de notícias Reuters.

“A forte correção nos mercados acionários da China pode ser indício de uma desaceleração mais ampla do gigante asiático e quem deve sofrer com isso são aqueles países exportadores de commodities, como o Brasil”, escreveu em nota a clientes o operador Jefferson Luiz Rugik, da corretora Correparti, no Paraná.

Nesse contexto, o dólar se fortalecia em relação a moedas como os pesos chileno e mexicano. No Brasil, o movimento foi muito mais intenso, com investidores citando saídas de recursos relacionadas a operações corporativas, conforme noticiou a Reuters.

O preço do minério, segundo mais importante produto da pauta de exportação brasileira, despencou 11% nesta quarta-feira, para a mínima desde 2009. Entre janeiro e junho, a receita do Brasil com as exportações de minério de ferro para a China desabou 49%. Isso afeta os termos de troca e acaba exercendo pressão por mais desvalorização cambial.

“Não é uma reação exagerada”, disse, o analista da Leme investimentos, João Pedro Brügger, ao jornal Folha de S.Paulo. “Uma desaceleração da economia chinesa vai ter impacto muito forte sobre os preços das commodities e isso afetará negativamente vários países, principalmente o Brasil, completou.

Inflação sobe para 0,79% em junho
A inflação em junho, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ficou em 0,79%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 12 meses, os preços acumularam alta de 8,89%, maior patamar neste tipo de comparação desde dezembro de 2003 (9,3%).

O valor está acima do limite máximo da meta do governo; o objetivo é manter a alta dos preços em 4,5% ao ano, mas há tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo (ou seja, podendo oscilar de 2,5% a 6,5%).

Leilões do Banco Central
A avaliação de operadores é que a redução das atuações do Branco Central do Brasil no câmbio pode pressionar ainda mais a cotação da moeda norte-americana para cima, especialmente porque o mercado já começa a prever quando se encerrará o ciclo de aumento dos juros no país.

Uma taxa de juros maior tende a atrais mais estrangeiros ao mercado brasileiro, em busca de retornos mais atraentes, ampliando a oferta de dólares no Brasil e, assim, reduzindo a pressão sobre o preço da divida – mesmo que seja um movimento apenas de curto prazo, segundo analistas consultados pela ‘Folha’.

Nesta quarta-feira, o BC deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em agosto – operação que equivale a uma venda futura de dólares para estender o prazo de contratos. A oferta de 6 mil papéis foi integralmente vendida, por US$ 292 milhões. Nos primeiros leilões desde mês, haviam sido ofertados te 7,1 mil swaps.

Mantendo a oferta de até 6 mil contratos por dia até o penúltimo dia útil do mês, a autoridade monetária rolará o equivalente a US$ 6,396 bilhões ao todo, ou cerca de 60% do lote total. Se continuasse com as ofertas anteriores, a rolagem seria de 70%, como a do mês anterior.

(Com informações da agência Reuters e Jornal Folha de S.Paulo)

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