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Em sessão volátil, dólar fecha em alta e vai a R$ 3,07

No mês, a moeda dos EUA acumula desvalorização de 3,75% ante o real.

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Do Mundo-Nipo com Agências

Depois de cair quase 2,5% ante o real na véspera, o dólar fechou em alta nesta quinta-feira (9), após mais uma sessão marcada pela volatilidade. O sobe e desce da moeda hoje refletiu a percepção de um quadro político doméstico mais benigno e o anúncio da agência Fitch, que revisou para negativa a perspectiva para o rating soberano do Brasil, mantido em “BBB”.

A moeda norte-americana subiu 0,47% e encerrou cotada a R$ 3,0706 na venda, após cair 2,48% na sessão anterior e atingir o menor valor de fechamento desde 5 de março. Com o resultado de hoje, a divisa americana acumula desvalorização de 3,75% em abril.

Segundo dados da BM&FBovespa, o movimento financeiro foi fraco, em torno de US$ 858 milhões, contra US$ 1,3 bilhão na sessão anterior.

Nesta quinta, a agência de classificação de risco Fitch indicou que poderá retirar o selo de bom pagador do Brasil, o chamado grau de investimento. Ele serve para sinalizar para o mercado que o país é um lugar seguro para investir.

A agência manteve a nota do Brasil, mas colocou-a em perspectiva negativa. Significa que pode rebaixá-la caso as condições da economia não melhorem.

Além da Fitch, as outras duas principais agência de classificação de risco, Moody’s e Standard & Poor’s, mantêm o país como bom pagador.

“A decisão da Fich foi encarada como um voto de confiança no governo brasileiro, pois ela não rebaixou a nota de crédito, e poderia ter rebaixado”, disse ao jornal Folha de S.Paulo Fábio Lemos, analista de renda variável da São Paulo Investments. “Mas é um voto de confiança por tempo curto. Agora é preciso ver a execução do plano de ajuste fiscal”, acrescentou.

Exterior
O Departamento de trabalho dos Estados Unidos informou hoje que o número de americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego subiu menos que o esperado na semana passada e a média móvel de quatro semanas atingiu o menor nível desde 2000.

O dado sugere que a desaceleração no crescimento do emprego em março pode ser temporária. Os pedidos iniciais subiram em 14 mil, para 281 mil em números ajustados sazonalmente na semana encerrada em 4 de abril.

Na Europa, a Grécia conseguiu pagar a parcela do empréstimo pendente ao FMI (Fundo Monetário Internacional), mas o país ainda corre risco de ficar sem dinheiro para honrar outros compromissos nas próximas semanas.

Cenário interno
A negociação entre o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT), em torno de um pacote de medidas para acalmar o PMDB, ajudou a aliviar as tensões políticas no país, avaliou Julio Hegedus, economista da Lopes Filho Consultoria de Investimentos.

“Mas enquanto os ajustes não forem definidos, haverá instabilidade no câmbio. Há uma sinalização de melhora de cenário após o ministro Joaquim Levy (Fazenda) tomar a frente da negociação política, mas ainda é preciso adotar medidas mais contundentes”, ressaltou.

Além da resistência técnica conforme o dólar se aproxima de cair a R$ 3, ainda há algum receio no mercado em relação à aprovação das medidas econômicas, apesar de uma percepção mais otimista nos últimos dias.

“Ainda estamos no meio do olho do furacão. A tempestade ainda está por vir”, disse à Agência Reuters o especialista em câmbio da Icap Italo Abucater, acrescentando que a definição sobre articulação política é positiva, mas o governo ainda precisa aprovar as medidas necessárias ao ajuste fiscal.

Desemprego sobe para 7,4% no trimestre
Nesta quinta, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego no Brasil subiu para 7,4% no trimestre encerrado em fevereiro.

O número é maior que o do trimestre anterior, encerrado em janeiro, de 6,8%, e superior ao registrado no mesmo período do ano passado, também de 6,8%.

Atuações do Banco Central
O Banco Central realizou mais um leilão para rolar contratos antigos de swap cambial tradicional (equivalentes à venda futura de dólares) que vencem em 4 de maio. Foram vendidos 10,6 mil contratos: 5.500 para 1º de março de 2016 e os outros 5.100 com vencimento em 3 de outubro do ano que vem.

A operação movimentou o equivalente a US$ 514,2 milhões. Até o momento, o BC rolou US$ 3,081 bilhões, ou o equivalente a cerca de 30% do lote total com vencimento em maio, correspondente a US$ 10,115 bilhões.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

Em março, o BC encerrou seu programa de atuações no mercado de câmbio, em que vendia, todo dia, novos contratos de swap com o objetivo de evitar um forte avanço da moeda norte-americana. Não há mais negociação de novos contratos desde março.

(Com informações do Jornal Folha de S.Paulo e da agência Reuters)

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