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Dólar sobe mais de 1% e fecha acima de R$ 2,25

A intensificação da crise na Ucrânia e expectativas de menor ingresso de recursos no Brasil levou o dólar a fechar na maior alta percentual em mais de 9 meses.

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Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou mais de 1% nesta quinta-feira (17), e fechou acima do teto informal de R$ 2,25 reais pela primeira vez desde o início de junho, em um dia marcado pela busca de investimentos de menor risco após a notícia da queda de um avião da Malaysia Airlines na Ucrânia, perto da fronteira com a Rússia, que pode intensificar as tensões geopolíticas na região. Influenciou também o fato do Banco Central ter deixado a porta aberta para uma mudança da política monetária no curto prazo e os dados fracos de atividade reforçaram as apostas em um corte da taxa básica de juros.

O dólar comercial encerrou o dia com forte valorização de 1,64%, cotado a R$ 2,2588 para a venda. É a maior alta percentual diária desde 5 de novembro do ano passado, quando a moeda norte-americana subiu 1,98%. É também o maior valor de fechamento desde 5 de junho, quando o dólar encerrou a R$ 2,261.

Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro ficou em torno de US$ 1,7 bilhão. Com o resultado de hoje, a moeda acumula valorização de 1,68% na semana e de 2,21% no mês. No ano, há queda de 4,41%.

No contexto externo, a alta do dólar foi influenciada, em grande parte, pelo pessimismo em relação à crise na Ucrânia. Um avião da Malaysia Airlines caiu na Ucrânia, na região de fronteira com a Rússia, nesta quinta. Não está claro ainda qual a relação entre a queda do avião e o atual conflito entre forças ucranianas e forças separatistas pró-Rússia na região.

Com o agravamento da crise no leste europeu, os investidores evitavam negócios de risco, preferindo outros considerados mais seguros, como o dólar. Com uma maior procura, o dólar tende a ficar mais caro em relação ao real, conforme destacou o ‘UOL Economia’.

A alta de hoje, no entanto, foi intensificada no Brasil pela perspectiva de que o Banco Central possa afrouxar a política monetária, o que diminuiria a atratividade das aplicações de renda fixa, que estiveram por trás da apreciação do real desde o início do ano. “Ainda é cedo para afirmar que o BC vai cortar a taxa de juros nos próximos meses, o que vai depender dos números de atividade no terceiro trimestre, mas a perspectiva de uma mudança na trajetória da política monetária pode ser um gatilho para uma correção no câmbio, com o dólar podendo se estabilizar em um patamar mais alto”, afirmou ao jornal ‘Valor Online’ o estrategista da Fator Corretora, Paulo Gala.

Essa perspectiva tomou forma depois que, ontem, o BC manteve a expressão “neste momento” no comunicado divulgado junto à decisão de deixar a Selic estável em 11% ao ano, nível mantido desde março.

Especialistas entenderam que todas as possibilidades estão abertas para o futuro da política monetária. No mercado de juros futuros, por exemplo, a curva de DI, instrumento para troca de reservas entre instituições financeiras, tinha apostas de menor aumento da Selic em 2015, diante do cenário de atividade mais fraca.

“Uma mudança na expectativa de juros afeta o dólar porque torna os ativos brasileiros menos atraentes”, explicou à Reuters o economista da corretora H.Commcor Waldir Kiel.

Intervenções do Banco Central no câmbio
O dólar ultrapassou o teto da banda informal de R$ 2,20 a R$ 2,25, que é visto por boa parte do mercado como um intervalo que agrada ao BC por não ser inflacionário e não prejudicar as exportações.

Pela manhã, a autoridade monetária vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Todos os contratos vendidos vencem em 2 de fevereiro de 2015 e têm volume correspondente a US$ 198,8 milhões.

Também foram ofertados swaps para 1º de junho de 2015, mas nenhum foi vendido. Em seguida, o BC vendeu a oferta total de até 7 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em agosto. Ao todo, já foram adiados cerca de 36% do lote total, que corresponde a US$ 9,457 bilhões.

As informações das cotações de fechamento são fornecidas pelo Portal Financeiro Investing.com Brasil.

 


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