Japão entra em recessão após economia cair 3,4% no 1º trimestre

Recessão destaca o impacto do Covid-19 na economia japonesa, com as exportações registrando a maior queda desde o terremoto de 2011.
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Porto de Kawasaki | ©Hironobu Murayama

A economia do Japão recuou fortemente entre janeiro e março em termos anualizados, marcando a segunda retração trimestral consecutiva e configurando em sua primeira recessão em quatro anos e meio no primeiro trimestre, o que deixa a terceira maior economia do mundo a caminho de sua maior contração pós-guerra conforme a crise do coronavírus afeta empresas e consumidores, segundo noticiou hoje (18) a agência Reuters.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB)  japonês destacaram o impacto do surto, com as exportações registrando a maior queda desde o terremoto de março de 2011 diante das paralisações e problemas nas cadeias de ofertas globais.

A terceira potência econômica do planeta contraiu 3,4% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, mostraram dados preliminares divulgados hoje (18) pelo governo do país.

Apesar da queda, a contração é menor que a estimativa de mercado, que espera recuo mediano de 4,6% para o trimestre que compreende os três primeiros meses de 2020.

No quarto trimestre, a economia japonesa já havia sofrido uma queda de 7,1% (dados revisados), com trimestres consecutivos de contração atendendo à definição técnica de recessão. A última vez que o Japão sofreu uma recessão foi no segundo semestre de 2015.

Economia continuará caindo

Analistas alertam para um cenário ainda pior no segundo trimestre, já que o consumo caiu depois de o governo ter pedido aos cidadãos em abril que permanecessem em casa.

“É quase certeza que a economia sofreu um declínio ainda mais profundo no atual trimestre”, disse Yuichi Kodama, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Meiji Yasuda.

O coronavírus, que surgiu pela primeira vez na China no final do ano passado, devastou a economia global, já que muitos países entraram em estritos bloqueios para conter a pandemia do novo coronavírios que, até o momento, matou mais de 310.000 pessoas em todo o mundo.

A pandemia tem sido massivamente perturbadora em cadeias de suprimentos e empresas, particularmente em países dependentes do comércio, como o Japão.

As consequências do vírus sobre as empresas japonesas levaram a uma queda de 6,0% nas exportações no primeiro trimestre, maior declínio desde o segundo trimestre de 2011.

Exportações

“As exportações para a China começaram a cair em fevereiro, seguido de uma onda de queda nos embarques para a Europa e os Estados Unidos”, disse Takeshi Minami, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Norinchukin.

Analistas consultados pela Reuters estimam que a economia do Japão encolherá 22,0% a uma taxa anualizada no trimestre atual, o que seria um declínio recorde, com a pressão sobre a produção se intensificando depois que o primeiro-ministro Shinzo Abe, em abril, declarou um estado de emergência em todo o país em meio à crescente pandemia.

Levantamento parcial do estado de emergência

O bloqueio, no entanto, foi suspenso na maioria das regiões na quinta-feira passada, mas permaneceu em vigor em algumas grandes cidades, incluindo Tóquio.

Até agora, o Japão registrou 16.337 casos de coronavírus e 756 mortes, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde do país.

Da Reuters USA / Tradução e edição do Mundo-Nipo (MN).

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