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Dólar quebra sequência de três quedas, tem forte alta e fecha perto de R$ 3,30

A moeda dos EUA avançou mais de 2,5% sobre o real.

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Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar subiu fortemente nesta quinta-feira (19) e fechou perto de R$ 3,30 pela primeira vez em quase 12 anos, acompanhando o movimento no exterior após recuar por três sessões consecutivas em reflexo das turbulências políticas no Brasil.

A moeda norte-americana encerrou o dia com forte alta de 2,56%, cotada a R$ 3,2965 na venda, maior nível de fechamento desde 1º de maio de 2003, quando chegou a 3,315. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro aumentou, ficando em torno de US$ 1,3 bilhão, contra US$ 600 milhões na véspera.

A divisa havia fechado em queda na véspera pelo terceiro dia seguido, reagindo ao tom de cautela adotado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em seu comunicado de política monetária. Nesta sessão, o mercado refletiu principalmente a força da moeda no exterior, onde os mercados voltavam às compras de dólares diante da percepção de que o Fed, ainda que de forma gradual, vai elevar os juros nos Estados Unidos ainda neste ano. O aumento do risco político e incertezas sobre o programa de swap cambial ajudaram a intensificar esse movimento no mercado doméstico.

O real mais uma vez lidera as perdas ante o dólar entre as principais moedas. Uma série de ruídos políticos influenciam os negócios hoje. O mercado embute nos preços ainda o risco crescente de o Banco Central encerrar no fim deste mês a “ração” diária – ofertas de US$ 100 milhões em swaps cambiais.

Ontem, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, falaram sobre o tema. Tombini disse que nos próximos dias o BC decidirá o futuro do programa, e Barbosa reafirmou que as condições atuais da “ração” valem até 31 de março. Nesta quinta-feira, Banco Central e fontes do governo voltaram a falar de câmbio.

O diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, afirmou que o programa de swap tem cumprido seu objetivo. Já o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, destacou que já houve uma boa correção na taxa de câmbio e que a desvalorização do real aumenta a competitividade da economia e ajuda na atração de investimentos.

A preocupação com o cenário político e as incertezas em relação à aprovação das medidas fiscais voltam a preocupar os investidores e ajudam a sustentar a alta do dólar. Hoje, o mercado repercute a possibilidade de mudanças no ajuste fiscal proposto pela equipe econômica devido aos atritos entre Planalto e Congresso.

O clima azedou após a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes, que ontem voltou a irritar os deputados com suas declarações no Congresso. Nesta manhã, a presidente Dilma Rousseff negou que esteja preparando uma reforma ministerial a partir da saída de Cid Gomes. Segundo ela, as mudanças serão pontuais.

Apesar do câmbio ter alcançado o patamar de R$ 3,30, ele ainda é o ativo brasileiro que tem mais espaço para andar em uma piora do cenário doméstico, afirma a estrategista de câmbio para América Latina Royal Bank of Scotland (RBS), Flavia Cattan-Naslausky.

A estrategista do RBS afirma que a dificuldade de negociação do governo com o Congresso tem aumentado a preocupação com o risco político, mas destaca como fator positivo o envolvimento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como um articulador na negociação para a aprovação das medidas fiscais , vistas como essenciais para melhorar a trajetória da dívida pública e evitar um rebaixamento do rating soberano brasileiro. “O ministro da Fazenda como articulador da política econômica com o Congresso e com o mercado já é um avanço enorme. As agências de rating estão de olho nisso, o que deve permitir ao governo ganhar um tempo”, afirma Flavia.

Para Flavia, a tendência de médio e longo prazo continua sendo do fortalecimento da moeda americana, o que deve manter as moedas emergentes sob pressão. “Continuamos achando que o Fed começará a subir a taxa básica de juros em meados deste ano. A única coisa é que o movimento será um pouco mais lento do que o mercado imaginava”, afirma Flavia.

Nesse sentido, ela vê a possibilidade do real atingir o patamar de R$ 3,50, dependendo da reação do mercado à divulgação do balanço da Petrobras, devendo encerrar o ano com uma taxa de câmbio média de R$ 3,30.

Atuações do Banco Central no câmbio
Nesta manhã, a autoridade monetária deu continuidade às rações diárias vendendo a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, que equivalem a 97,4 milhões de dólares. Foram vendidos 250 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.750 para 1º de março de 2016.

O BC fez ainda mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril, que equivalem a 9,964 bilhões de dólares, com oferta de até 7,4 mil contratos. Até agora, a autoridade monetária rolou cerca de 46% do lote total.

(Com informações das agências Valor Online e Reuters)

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