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Japão e EUA negociam redução das tropas em Okinawa

Protesto contra base dos Eua em Okinawa em 2014 (Foto: Aflo Images)

Abe anunciou as negociações nesta quinta-feira, durante a comemoração dos 71 anos da Batalha de Okinawa.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, anunciou nesta quinta-feira (23) que está negociando com os Estados Unidos uma redução da presença militar na região de Okinawa (sul do Japão), devido à crescente rejeição da população local diante das tropas norte-americanas instaladas na ilha.

Abe anunciou as negociações durante a comemoração dos 71 anos da Batalha de Okinawa, marcada pelos recentes protestos da população local contra as bases norte-americanas. As manifestações se intensificaram após a divulgação do assassinato de uma jovem japonesa por um ex-membro da Marinha de Guerra dos Estados Unidos.

“Além de apresentar um protesto em Washington e de informar pessoalmente ao presidente [Barcak Obama] sobre a grave agitação do povo japonês, requeri medidas para evitar que ocorram mais incidentes semelhantes”, disse Abe nesta quinta-feira, durante o seu discurso no Parque Memorial da Paz, na localidade de Itoman, no sul da ilha de Okinawa.

O primeiro-ministro japonês acrescentou que está negociando com os EUA possíveis alterações no acordo bilateral assinado em 1960, no qual refere as bases militares norte-americanas em território japonês.

Segundo Abe, o objetivo principal das negociações é “reduzir a carga” sobre Okinawa, localidade que alberga a maioria das instalações militares do EUA no Japão.

Por outro lado, o Governador da região de Okinawa, Takeshi Onaga, exigiu que seja feito uma “drástica revisão” do acordo que regula a jurisprudência sobre as bases militares norte-americanas e seu respectivo contingente, pois, no seu entender, o mesmo garante “proteção legal” para os norte-americanos “e desrespeita” os direitos fundamentais da população local.

A comemoração teve lugar quatro dias depois da manifestação sucedida na localidade de Naha, na qual cerca de 50 mil pessoas protestaram contra a presença de bases militares norte-americanas e contra os recentes incidentes protagonizados pelos soldados.

Em maio, a polícia japonesa deteve um ex-membro da Marinha dos EUA que trabalhava na base de Kadena, na ilha de Okinawa, acusado de estuprar e assassinar uma jovem japonesa de 20 anos. Duas semanas depois, uma militar norte-americana, ao conduzir embriagada, provocou um acidente grave e vários feridos.

A Batalha de Okinawa, que ocorreu entre um de abril de 1945 e 21 de junho do mesmo ano, foi a única invasão terrestre dos EUA ao Japão durante a Segunda Guerra Mundial, a qual se realizou poucos meses antes de serem lançadas as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, situação que levou à rendição total daquele país.

O confronto de Okinawa durou meses e custou a vida de um em cada quatro habitantes, para um total aproximado de 94 mil pessoas, segundo números oficiais do governo local.

Fonte: Agência Lusa.

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