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Japão registra recorde de interceptação de aeronaves chinesas em 2015

Japão acionou 571 vezes seus caças contra aeronaves chinesas em 2015, o número é o mais alto de todos os tempos.

A Força Aérea de Autodefesa do Japão (ASDF, Air Self-Defense Force) acionou 571 vezes seus caças contra aeronaves chinesas próximas ou no espaço aéreo japonês durante o ano fiscal terminado em março de 2016, ante 464 interceptações registradas no exercício fiscal anterior, informou o Ministério da Defesa do país nesta terça-feira (26), afirmando que o número é o mais alto desde que a pasta começou a computar os dados, em 2001, informou hoje a agência de notícias ‘Kyodo’.

Segundo o ministério, o número de decolagens de emergência em resposta a possíveis incursões territoriais por aeronaves estrangeiras totalizou 873 no ano fiscal de 2015. Esse total, no entanto, é inferior às 943 interceptações registradas no ano anterior.

O motivo no declínio do total de interceptações é em razão ao número menor de incursões da Rússia. Segundo a pasta, caças japoneses foram acionados 288 vezes para impedir aviões militares russos de invadir o espaço aéreo japonês em 2015. No exercício fiscal anterior, esse número situou-se em 473.

Maior atividade de incursões chinesas
O relatório do ministério aponta que a maioria dos casos ocorreu nas zonas do Mar da China Oriental, mais precisamente na zona que separa as ilhas de Okinawa e Miyako, no extremo sul do arquipélago japonês. Tóquio reforçou a vigilância das atividades aéreas do país vizinho no Mar da China Oriental perante a disputa com Pequim pela soberania das ilhas Senkaku (Diaoyu, em chinês), administradas por Tóquio.

As incursões chinesas entre a ilha de Miyako e à ilha principal de Okinawa, que são próximas ao pequeno arquipélago em disputa, têm aumentado desde que o governo japonês nacionalizou as ilhas Senkaku, em setembro de 2012.

Tóquio diz que “as ilhas são território inerente do Japão e não há questão territorial a ser resolvida”, apesar das insistentes reivindicações por parte de China e Taiwan.

Recentemente, observou-se um reforço da presença da China na zona contígua próxima às ilhas em disputas, principalmente depois que a controvertida reforma militar do Japão, que permite às tropas do país combater no exterior pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, entrou em vigor no final do mês passado.

Antes mesmo de a lei ser aprovada, a China já expressava preocupações sobre a nova legislação japonesa, cujo pacote de normas concede maiores competências às Forças de Autodefesa do Japão com o objetivo de que o país tenha mais peso estratégico no cenário internacional, o que tem sido duramente criticado por defensores internacionais do pacifismo, em vista que isto porá um fim a Constituição pacifista do Japão.

“Acredito que estas medidas de Autodefesa são necessárias para que o governo cumpra com sua responsabilidade de proteger as vidas dos cidadãos japoneses”, afirmou o primeiro-ministro Shinzo Abe durante pronunciamento na Câmara Baixa na véspera em que a lei entrou em vigor, em 29 de março de 2016.

“Esperamos que a parte japonesa aprenda a lição difícil da História, siga o caminho de desenvolvimento pacífico, atue com cautela nos assuntos militares e de segurança e faça mais para reforçar a confiança mútua com os seus vizinhos e para melhorar a paz e estabilidade regional”, declarou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês em resposta à nova lei japonesa de segurança, citado pela agência estatal Xinhua.

Como a disputa em relação às ilhas Senkaku continua, as Forças de Autodefesa Aérea do Japão declarou que a China está modernizando suas forças aéreas e marítimas. Contudo, a China tem negado repetidamente que não reclama as ilhas com intenções militares e sim porque acredita que elas pertencem ao seu território desde tempos antigos.

Ilhas Senkaku
Ilhas Senkaku é a denominação do arquipélago constituído pelas ilhas Uotsuri, Kitakojima, Minamikojima, Kuba, Taisho, Okinokitaiwa, Okinominamiiwa e Tobise. Este grupo de ilhas está situado no Mar da China Oriental, aproximadamente a 170 quilômetros ao norte da ilha Ishigaki e a cerca de 410 quilômetros a leste da ilha de Okinawa.

Em 2012, o Japão estatizou o pequeno arquipélago desabitado após comprar as ilhas que pertenciam a um proprietário privado. No mesmo ano, o governo nacionalizou o arquipélago e o reafirmou como parte do município de Ishigaki, na província de Okinawa.

Apesar desse importante episódio, que deteriorou as já abaladas relações com a China, Tóquio afirma que as ilhas pertencem ao território japonês desde 1895, cujo controle foi passado para os Estados Unidos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Em 1972, o direito administrativo das ilhas foi devolvido ao Japão como parte do “Acordo de Devolução de Okinawa” entre o Japão e os Estados Unidos, explica o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão em seu site oficial.

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