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Dólar reverte desvalorização, sobe mais de 1,5% e fecha semana em alta

No mês e no ano, o dólar já subiu 13,46% e 21,88%, respectivamente.

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Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar fechou em alta de mais de 1,5% ante o real nesta sexta-feira (27), revertendo um quadro de desvalorização acumulada na semana em mais de 1% até a véspera, com investidores buscando um nível de equilíbrio para o câmbio após a intensa volatilidade nas últimas sessões, reflexo de um cenário interno de incertezas diante de turbulências políticas e econômicas no Brasil.

A moeda norte-americana encerrou o dia com valorização de 1,55%, cotada a R$ 3,2405 na venda. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro aumento para cerca de US$ 2,4 bilhões, contra U$ 2 bilhões na véspera.

Com o resultado de hoje, a moeda reverteu o quadro de desvalorização semanal acumulados até ontem, e encerrou a semana com alta de 0,32%. No mês e no ano, a valorização acumulada é de 13,46% e 21,88%, respectivamente.

De acordo com a Agência Reuters, o câmbio no mercado doméstico tem sido marcado por uma intensa volatilidade nas últimas semanas, que levou a divisa a encostar em R$ 3,30 e cair abaixo de R$ 3,10.

Após disparar ante o real no início do mês, números fracos sobre a economia dos Estados Unidos e declarações cautelosas do Federal Reserve levaram o dólar a corrigir parte do avanço. Mas o alívio durou pouco, com a decisão do Banco Central brasileiro de encerrar seu programa de intervenção diária servindo de catalisador para compras de divisas.

“Há uma percepção mais ou menos generalizada de que o dólar a R$ 3,10 é muito barato. Mas, ao mesmo tempo, o mercado sabe que alguma hora o dólar vai ter de parar de subir”, disse à Reuters o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

Nesta tarde, a chair do Federal Reserve, Janet Yellen, afirmou que o banco central norte-americano está considerando seriamente começar a reduzir sua política monetária expansionista e uma alta de juros pode ser justificada ainda neste ano, embora eventuais entraves à alta do núcleo da inflação ou ao crescimento salarial possam forçar o banco central norte-americano a adiá-la.

Segundo operadores, o sentimento no mercado é de incerteza, com viés de valorização do dólar. As turbulências políticas e econômicas no Brasil têm levado investidores a buscarem refúgio na moeda norte-americana, por receio de que governo não consiga implementar as medidas de ajuste fiscal.

O viés de alta da divisa dos EUA é ainda mais intenso porque, na opinião da maior parte dos operadores, o ajuste do câmbio é condição para o reequilíbrio da economia brasileira. Por isso, afirmam, mesmo condições econômicas mais favoráveis não seriam suficientes para levar o dólar a cair com força ante a moeda brasileira.

A economia brasileira cresceu 0,1% em 2014, levemente acima das expectativas de analistas, que previam estagnação. Mas economistas não se surpreenderam ou se animaram com o desempenho, com o investimento mostrando o pior resultado desde 1999 e indicando contínuas dificuldades em 2015.

Na noite passada, o BC anunciou que fará na próxima semana leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, na primeira operação desse tipo desde 22 de dezembro. Segundo operadores, no entanto, o anúncio não teve grande impacto nas cotações do dólar.

“Não está faltando liquidez no mercado, está havendo uma mudança em termos de fundamentos. Não dá para brigar com isso, principalmente com um instrumento mais fraco como os leilões de linha”, disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

Atuações do Banco Central no câmbio
Nesta manhã, o BC deu continuidade às intervenções diárias vendendo a oferta total de até 2 mil swaps cambiais, com volume equivalente a US$ 98,2 milhões. Todos os contratos vendidos vencem em 1º de dezembro de 2015. Também foram ofertados swaps para 1º de março de 2016, mas nenhum foi colocado.

O BC também vendeu a oferta total de até 7,4 mil swaps cambiais na rolagem dos contratos que vencem em 1º de abril. Ao todo, a autoridade monetária já rolou o equivalente a 71% do lote total, correspondente a US$ 9,964 bilhões.

(Com informações da agência Reuters)

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