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Correção: Dólar recua e fecha a R$ 3,23 após discurso alinhado de Levy e Dilma

A moeda recuou após ser negociada a R$ 3,29 na máxima da sessão.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar fechou em queda ante o real nesta segunda-feira (30), revertendo uma trajetória de ganhos durante boa parte do dia, após a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, adotarem discursos alinhados, dissipando preocupações de que recentes declarações do ministro sobre a presidente pudessem gerar atrito entre os dois, o que minimizou os riscos de uma crise política que poderia colocar em jogo os ajustes fiscais.

A moeda norte-americana encerrou o dia com desvalorização de 0,27%, cotada a R$ 3,2317 na venda, após ser negociada a R$ 3,2902 na máxima da sessão e a R$ 3,2082 na mínima.

Dilma afirmou que Levy foi mal-interpretado ao fazer comentários sobre à seu respeito e que não há motivos para complicações devido ao episódio. O ministro também reforçou o alinhamento com a presidente, dizendo que a “confiança mútua é muito sólida”.

Os dois comentavam sobre o áudio publicado pelo site do jornal Folha de S.Paulo no sábado, de uma apresentação do ministro Levy, em que ele diz que a presidente Dilma Rousseff tem desejo genuíno de acertar, mas nem sempre faz as coisas da maneira mais efetiva.

“O discurso deles [Levy e Dilma] foi o principal motivo para a queda do dólar comercial”, avalia Carlos Pedroso, economista sênior do Banco Tokyo-Mitsubishi, de acordo com a Folha. “Acalmou o mercado”, disse ele.

Também ajudaram a conter a alta do dólar dados econômicos dos EUA, que mostraram a recuperação da renda pessoal e do gasto de consumidores do país abaixo do previsto. Os indicadores estão entre os analisados pelo Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) para definir sua política monetária.

Caso decida elevar os juros no país, isso poderia atrair dinheiro hoje investido em países emergentes, como o Brasil. A saída de dólares tem como efeito a alta da moeda americana nesses países, de acordo com a Folha.

André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, avalia como remotas as chances de a presidente do Fed, Janet Yellen, elevar os juros no país antes de se assegurar que a economia americana está crescendo consistentemente.

“O dólar valorizado prejudica as exportações americanas e os Estados Unidos não têm interesse em ver sua balança comercial piorar”, disse o Perfeito à Folha.

Analistas dizem que dólar deve fechar 2015 a R$ 3,20
Segundo projeções de analistas de mercado divulgadas nesta segunda pelo Banco Central, o dólar deve fechar o ano cotado a R$ 3,20. Na semana passada, a previsão era de R$ 3,15.

Além de subir a projeção para o dólar, os analistas cortaram, pela 13ª semana seguida, as previsões para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015. Eles esperam queda de 1% no ano. A projeção anterior era de queda de 0,83%.

Intervenção do Banco Central no câmbio
Ainda de acordo com a Folha, na terça-feira (31), o Banco Central encerra suas intervenções diárias no mercado cambial, por meio da venda de contratos de swaps cambiais, que equivalem à venda futura de dólares.

Contudo, nesta manhã, o BC deu continuidade às intervenções, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps, com volume equivalente a US$ 97,8 milhões. Foram vendidos 1 mil contratos com vencimento em 1º de dezembro de 2015 e 1 mil swaps para 1º de março de 2016.

O BC realizou ainda um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril, no que deve ser o último para este vencimento, se a autoridade monetária mantiver o padrão de realizar os leilões até o penúltimo dia útil do mês. Ao todo, foram rolados cerca de 75% do lote total, correspondente a US$ 9,964 bilhões.

(Com informações da agência Reuters e Jornal Folha de S.Paulo)

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