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Um quilo de carne do boi da raça wagyu pode custar até US$ 1 mil no Japão

Kobe beef é o nome da seleta carne de boi da raça japonesa wagyu, a mais cara do mundo. Esses animais recebem tratamentos especiais como massagens diárias e até cerveja.

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Atualizado em 28/02/2019

Uma matéria do portal UOL Economia colocou em destaque o alto preço da carne comercializada a partir do boi da raça japonesa wagyu. Além de seu preço exorbitante, com o quilo podendo chegar a custar até US$ 1.000 no Japão, a matéria também detalhou o motivo do alto preço dessa carne pouco conhecida entre os brasileiros.

Kobe beef é o nome dessa seleta carne, que é uma referência à cidade de Kobe, na província de Hyogo (centro-oeste do Japão), de onde a raça wagyu tem origem. Embora tenha um valor extremamente elevado no Japão, ela pode ser encontrada no Brasil por um preço um “pouco” mais baixo.

Em São Paulo, o quilo pode custar até R$ 500, um valor que, embora seja bem mais em conta que os mil dólares no Japão, ainda assim é bem salgado.

A justificativa para o alto preço está no fato de a raça wagyu produzir carne com muita gordura entre as fibras, o que, segundo especialistas, a torna mais saborosa e macia.

Por essa razão, ela é quase sempre servida apenas levemente grelhada, com pouco sal e, de preferência, sem molhos ou temperos fortes, para não haver interferências no sabor.

A carne é classificada de acordo com seu grau de marmoreio, ou seja, a quantidade de gordura entremeada. Quanto maior a quantidade de gordura, maior o número que ela recebe.

No Japão, a classificação vai de 1 a 12, e serve também como referência para o preço da carne, enquanto no Brasil são produzidas carnes de 1 a 8. O preço, no entanto, não varia conforme a numeração.

Tabela da carne de boi da raça Wagyu | Imagem: Edição MN

Tabela de classificação da carne de acordo com seu grau de marmoreio | Imagem: Edição Mundo-Nipo

A qualidade da carne do gado wagyu é tão alta que bois de outras raças não atingem o nível mínimo de gordura dessa escala.

O kobe beef ainda não é tão conhecido no Brasil, apesar de estar no país há mais de 20 anos.

Rogério Uenishi, que trabalha com a raça desde que foi trazida ao Brasil, disse que experimentou muitos cortes da carne tanto no Japão como no Brasil. Ele afirma que há diferença entre a carne de wagyu produzidas em ambos os países.

“A carne de lá [Japão] é mais adocicada, derrete mais na boca do que a daqui [Brasil], e sua cor é mais clara do que a nossa”, disse Uenishi ao UOL.

Criação do gado inclui alimentação balanceada e cevada
A fazenda da empresa Yakult é a pioneira na criação do gado wagyu no Brasil. Em 1993, a Yakult decidiu trazer ao Brasil o primeiro casal da raça wagyu, comprado nos Estados Unidos. O objetivo dos donos da empresa, conhecida por fabricar leite com lactobacilos vivos, era investir em uma carne diferente e melhorar a genética do gado já existente no Brasil.

Os bois brasileiros se alimentam basicamente de capim, no pasto, e, eventualmente, alguns meses antes do abate recebem ração para ganhar peso mais rapidamente.

Já os machos da raça wagyu destinados ao abate não pastam, eles são confinados a partir do sétimo mês de vida, quando são desmamados e passam a ser alimentados com ração especial, que incluem arroz, milho, soja, trigo e cevada, sendo esta última podendo ser substituída por resíduo de cervejaria.

Tratamento do boi no Japão inclui massagem e cerveja
Produtores japoneses com poucos animais dão atenção maior aos animais de sua criação. Segundo Uenishi, que visitou o Japão em busca de mais informações sobre a raça wagyu, tratamentos como massagem, dar cerveja ao animal e garantir aquecimento em regiões mais frias, são comuns para propriedades pequenas, que preparam o animal para competições em exposições no país.

“São só aqueles que têm dez animais no máximo. Em uma produção de escala industrial, como acontece no Brasil, é muito difícil viabilizar estes tratamentos. Lá, a relação deles com o bicho é como se ele fosse um animal de estimação”, afirma o veterinário.

Os japoneses acreditam que a massagem consegue ajudar a entremear mais gordura na carne e, assim, melhorar a classificação de marmoreio. Já a cerveja ajudaria na digestão da comida, aumentando o aproveitamento do alimento no corpo do boi.

Já tapetes e pisos aquecidos seriam usados no Japão apenas em regiões mais frias, por uma preocupação com o bem-estar do animal, assim como a música clássica que, acredita-se, relaxa os bois.

Onde encontrar o kobe beef no Brasil
Lojas de produtos gourmet, como Casa Santa Luzia e Intermezzo Gourmet, em São Paulo, vendem essa carne já cortada em bifes. A Intermezzo dispõe do produto em sua loja virtual com entrega nas capitais brasileiras.

Veja no vídeo abaixo como são criados bovinos da raça wagyu no Brasil:

MN – Mundo-Nipo
Fontes: UOL Economia | Scot ConsultoriaAssociação Brasileira dos Criadores de Bovinos das Raças Wagyu.

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