Ciência e Saúde

Cientistas japoneses decodificam o conteúdo dos sonhos

A descoberta poderá ser útil para analise de doenças psicológicas ou até mesmo para controlar máquinas por pensamento.

Do Mundo-Nipo

Uma equipe de cientistas do Japão anunciou ter descoberto uma forma de decifrar o conteúdo dos sonhos através de exploração da atividade cerebral por meio de ressonância magnética, conseguindo abrir parcialmente a porta de alguns segredos da mente inconsciente.

 

Criança japonesa dormindo (Foto: AFLO)

A descoberta poderá ser útil para analise do estado psíquico das pessoas, compreender as doenças psicológicas ou até mesmo para controlar máquinas por pensamento (Foto: AFLO)

 

Os pesquisadores disseram ter alcançado “a primeira decodificação a nível mundial” dos sonhos, assunto de especulação há séculos e que tem cativado a curiosidade humana desde a antiguidade.

Para os cientistas, esta descoberta poderá ser útil para analise do estado psíquico das pessoas, compreender as doenças psicológicas ou até mesmo para controlar máquinas por pensamento.

No estudo, que foi publicado pela ‘Science News’ na quinta-feira (04), os investigadores do Instituto Internacional de Pesquisas de Telecomunicações Avançadas (ATR), em Kyoto, usaram imagens recolhidas por ressonância magnética para localizar com exatidão a parte do cérebro que fica ativa nos primeiros momentos do sono.

Os pesquisadores registraram repetidamente a atividade cerebral de três voluntários durante a fase preliminar do sono. Quando aparecia no monitor de análises um sinal correspondente a uma fase de sonho, os cientistas despertavam os voluntários e perguntavam que imagens haviam acabado de ver. A operação foi repetida mais de 200 vezes por pessoa.

As respostas foram depois comparadas com os mapas cerebrais produzidos com o conteúdo recolhido na ressonância magnética, explicaram os pesquisadores, acrescentando que mais tarde foi construído um banco de dados lexicais para agrupar os objetos em categorias (pessoas, alimentos, livros, veículos, edificações, lugares, etc.) programados em um computador.

Este banco de dados tornou possível prever quais imagens os voluntários tinham visto durante o sono, com uma taxa de 60% até 70% de precisão.

“Concluímos que decodificámos com sucesso alguns tipos de sonhos com uma taxa de precisão distintamente elevada”, disse Yukiyasu Kamitani, líder da equipe de pesquisa.

Os sonhos têm fascinado as pessoas desde a antiguidade, mas as suas funções e significados têm permanecido uma incógnita, lembrou Kamitani. “Eu acredito que este resultado é um passo crucial no caminho para decifrar os sonhos mais precisamente”, afirmou.

A equipe agora irá tentar prever outras experiências oníricas, tais como cheiro, cores e  emoções, bem como os relatos mais completo dos sonhos.

“Queríamos introduzir um método mais preciso para conseguirmos visualizar os sonhos”, disse Kamitani, admitindo que, no entanto, o sistema está ainda um tanto longe de compreender um sonho completo.

O cientista explicou que os padrões de decodificação diferem de pessoa para pessoa e que a base de dados que a equipe desenvolveu não pode ser aplicada genericamente, tendo de ser gerada individualmente.

A experiência só usou imagens que os voluntários viram imediatamente antes de acordarem, mas durante um sono profundo, no qual os sonhos são mais vívidos, ainda permanece um mistério.

A experiência de Kamitani é a mais recente de um programa governamental sobre o estudo do cérebro, que visa aplicar a ciência aos serviços médicos e sociais, informou o governo japonês.

Foram gastos 3,4 bilhões de ienes (cerca de 35 milhões de dólares) no ano fiscal, que terminou em 31 de março, na pesquisa do sonho e em outros estudos na área das neurociências.

Alegando que a descoberta poderá ajudar pessoas amputadas a controlar membros artificiais através de um simples comando cerebral, o governo do Japão afirma estar atento “aos aspectos éticos da tecnologia”, que futuramente poderá permitir a uma terceira pessoa ver os sonhos de “qualquer um”.

 

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