Ciência e Saúde

Casos de influenza atingem níveis alarmantes no Japão

O número de casos tem aumentado drasticamente, com mais de um milhão de pessoas infectadas apenas na semana passada.

O número de pacientes diagnosticados com o vírus da influenza está aumentando rapidamente no Japão, atingindo números alarmantes em praticamente todas as províncias do país, de acordo com o Instituto Nacional de Doenças Infecciosas (NIID, na sigla em inglês), órgão ligado ao Ministério da Saúde.

O instituto adverte que o país está sob o risco de sofrer uma epidemia e alertas sobre a crescente propagação do vírus foram emitidos para todas as 47 províncias do país, incluindo as região metropolitanas de Tóquio.

Com base em suas próprias pesquisas, o instituto constatou que o número de casos cresceu drasticamente nas últimas semanas e prevê que aumente ainda mais este mês.

Divulgado esta semana, o relatório do NIID mostra que cerca de 1,070 milhão de pessoas infectadas deram entradas em instituições médicas durante a semana que terminou no domingo passado, um aumento superior a 50% em relação à semana anterior, quando foram registrados 520 mil casos.

Do total de infectados nesse período, 270 mil eram crianças entre 5 a 9 anos, enquanto 150 mil eram adolescentes, na faixa etária de 10 a 14 anos.

Na tentativa de conter o contágio, um total de 3.396 escolas e creches em várias regiões do país se mobilizou na tentativa de evitar a propagação da enfermidade, com algumas decretando suspensão de suas atividades na semana passada.

Todas as províncias do país estão em alerta devido ao crescimento alarmante de infectados, especialmente em Niigata (centro-oeste), Kanagawa (leste), Fukuoka (sul do Japão) e Okinawa (Ilha no extremo sul), que registraram o maior crescimento de pessoas infectadas pelo vírus da influenza.

O Ministério adverte que o número tende a aumentar drasticamente se autoridades locais não promoverem campanhas maciças de prevenção.

Sobre o vírus influenza
O vírus Influenza, pertencente à família Orthomyxoviridae, com genoma de RNA segmentado. Existem 3 tipos de vírus influenza: A, B e C.

O vírus influenza C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública e não está relacionado com epidemias. Já o vírus influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus influenza A responsável pelas grandes pandemias.

Reservatório
Os vírus da influenza A estão presentes na natureza em diversas espécies, incluindo humanos, aves, suínos, cavalos, focas e baleias. Os vírus influenza B e C têm como reservatório somente seres humanos.

Modo de transmissão
A transmissão ocorre através das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada ao falar, espirrar ou tossir.

Transmissão também pode ocorrer por meio das mãos, que após contato com superfícies contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado, podem carrear o agente infeccioso diretamente para a boca, nariz e olhos.

Período de transmissibilidade
O período de encubação se dá entre 1 a 4 dias e o de transmissibilidade em humanos geralmente se inicia 24 horas antes do início dos sintomas e dura até 5 a 10 dias após o surgimento dos sintomas. Em crianças esse período dura em média 10 dias e em pacientes imunossuprimidos, por mais tempo.

Susceptibilidade e risco de complicações graves
Pessoas de todas as idades são susceptíveis a infecção pelo vírus influenza. Alguns indivíduos, no entanto, estão mais propensos a desenvolverem complicações graves, especialmente aqueles com condições e fatores de risco para agravamento.

A doença pode gerar complicações em gestantes, adultos com idade maior que sessenta anos, crianças com idade menor que dois anos e indivíduos que apresentem doença crônica, especialmente doença respiratória crônica, cardiopatia, obesidade, diabetes descompensada, síndrome de Down e imunossupressão e imunodepressão.

Cuidados e prevenção
A recomendação do Ministério da Saúde é para se evitar locais com aglomeração de pessoas, pois isso reduz o risco de contrair a doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de máscaras pela população não é recomendado. Entretanto, quem está doente deve fazer uso de máscara quando estiver em contato com outras pessoas para não transmitir o vírus.

As medidas preventivas de caráter geral são: fazer frequente higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel, mas antes retire acessórios como anéis, pulseiras e relógio, uma vez que estes objetos acumulam microrganismos não removidos com a lavagem das mãos; use lenço descartável para higiene nasal; faça gargarejos frequentes; cubra nariz e boca ao espirrar ou tossir; evite tocar mucosas de olhos, nariz e boca; higienize (lavar) as mãos após tossir ou espirrar; evite aglomerações; não divida objetos de uso pessoal, como toalhas de banho, talheres e copos; evite tocar superfícies do tipo maçanetas, interruptores de luz, chave, caneta, torneira, entre outros quando estiver num ambiente de risco, como hospitais; ao chegar em casa, descarte equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, e deposite em um saco plástico individual.

Sintomas
• Febre acima de 38 graus, podendo durar de 3 a 5 dias.
• Dor de cabeça e dor de garganta (irritação)
• Suor excessivo e calafrios (sensação ou tremores de frio)
• Tosse seca e catarro (pode perdurar mais de duas semanas)
• Inflamação das mucosas e das vias respiratórias (nariz obstruído e coriza)
• Dores musculares e articulares (dores no corpo), que podem durar de 3 a 5 dias
• Mal estar e fadiga, que pode levar mais de duas semanas para desaparecer

Tratamento
• Procure o médico para o diagnóstico tão logo apareçam os sintomas nos primeiros dias.
• Tome os medicamentos seguindo rigorosamente a orientação médica.
• Faça repouso.
• Evite o uso de álcool ou fumo. Procurar se alimentar bem e tomar bastante líquido.
• Retorno às atividades normais, inclusive o trabalho, somente após os sintomas terem desaparecidos.

Fontes: Agência Kyodo | Ministério da Saúde do Japão.

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