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Karoshi: morte por excesso de trabalho

Foto: Reuters

Os japoneses atendem as perspectivas das empresas sobre a máxima dedicação e esforço, mas tal dedicação tem causado a morte de muitos.

Atualizado em 11/11/2016 – 02h01


O termo japonês karoshi  (ka = demasiado; ro = trabalho; shi = morte) significa “morte por excesso de trabalho”, também conhecido como síndrome da morte súbita. Esse processo, que ocorre tanto entre trabalhadores de meia idade como também entre os relativamente jovens, vem chamando cada vez mais a atenção no Japão.

A morte do trabalhador geralmente ocorre por acidente cardiovascular cerebral (AVC, conhecido por derrame cerebral), infarto agudo do miocárdio (IAM, conhecido por ataque cardíaco e ou somente infarto) e suicídio causados por transtornos mentais, todos em consequência de estresse por esforços excessivos e poucas horas de descanso e sono.

Alguns estudiosos do tema atribuem o aumento da incidência por karoshi às formas intensas e extensas de trabalho no Japão, país com as jornadas de trabalho mais longas entre os países desenvolvidos.

As grandes empresas onde esse processo acontece com mais frequência procuram não reconhecer publicamente o fato, assim como as próprias autoridades governamentais do Japão.

A primeira indenização por excesso de trabalho no Japão aconteceu em 1998, quando o Tribunal Distrital de Okayama sentenciou a empresa Kawasaki Steel Corporation a pagar 52 milhões de ienes (equivalente a US$ 403 mil na época) de indenização à família de Junichi Watanabe, de 41 anos, reconhecendo que as excessivas exigências de trabalho provocaram uma depressão tão profunda que acabou levando o funcionário a jogar-se do sexto andar de um prédio, em 1991, de acordo com o jornal The Asahi Shimbun.

O suicídio ocorreu logo depois de um período de trabalho excessivo. Watanabe trabalhava na empresa havia seis meses e, durante esse tempo, tirou apenas dois dias de folga. A família ingressou com a ação em 1991, pedindo uma indenização de 125 milhões de ienes. Em sua defesa, a empresa disse não haver nenhuma relação entre o suicídio e o longo período de trabalho.

Origem do karoshi e sua cultura
Ninguém sabe dizer ao certo onde ou quando a palavra Karoshi surgiu, mas contam que ela existe desde os tempos antigos no Japão, e apesar da consciência sobre o excesso de trabalho poder levar a morte, os japoneses têm o costume cultural de jamais sair no horário exato, sempre se dispõe a trabalhar por meia hora ou mais além de seus horários.

As empresas japonesas não veem com bons olhos os funcionários pontuais. Chegar com bons minutos de antecedência e sair bem além do horário determinado, é garantia certa de permanência no emprego e esperança de uma promoção, mesmo sabendo que não será remunerado pelas horas extras trabalhadas.

Os japoneses atendem as perspectivas das empresas sobre a máxima dedicação e esforço, mas tal dedicação tem causado a morte de muitos.

O número de mortes por excesso de trabalho tem chegado a uma assustadora média de 200 por ano, de acordo com dados recentes do Ministério do Trabalho.

Entretanto, uma pequena parte da nova geração tende a reagir contra esse tipo de problema, não aceitando jornadas tão longas ou intensas de trabalho, dedicando mais tempo ao lazer e ao consumo.

Veja um jogo de plataforma intitulado Karoshi, uma série de quebra-cabeça em que o objetivo é trabalhar até morrer.

Por Maria Rosa
Fontes principais de pesquisa
• Jornal The Asahi Shimbun
• Livro: Cultura Japonesa  – Aliança Cultural Brasil-Japão | Editora: Hitz Berba – Editores associados.

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