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Chuvas torrenciais deixam 156 mortos no Japão; número tende a subir

Trata-se da maior tragédia provocada por um fenômeno meteorológico no Japão desde 1982.

As inundações e deslizamentos de terra provocados pelas chuvas torrenciais que afetam a região oeste do Japão deixaram, até o momento, pelo menos 156 mortos, o que tende a subir, já que equipes de emergência lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes em meio a escombros de casas soterradas, de acordo com informações da imprensa local e agências internacionais.

O porta-voz do governo, Yoshihide Suga, também citou pelo menos 10 pessoas desaparecidas, mas a imprensa informou que o número supera 50.

Esta é a maior tragédia provocada por um fenômeno meteorológico no Japão desde 1982.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que cancelou uma viagem a vários países da Europa e Oriente Médio, viajará na quarta-feira à região afetada, informou Yoshihide Suga.

Segundo a agência japonesa ‘Kyodo’, o Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão confirmou pelo menos 238 deslizamentos de terra em 28 prefeituras e inundações em mais de 200 localidades ao longo de rios administrados pelas autoridades estaduais e locais no oeste do país.

Quase 8.400 pessoas que abandonaram suas casas permaneciam em refúgios nesta terça-feira (10), enquanto outras seguiram para as casas de parentes.

“Os 75.000 policiais, bombeiros, soldados das Forças de Autodefesa (nome do exército japonês) e da Guarda Costeira fazem o possível para ajudar os afetados, declarou Suga, segundo a agência ‘AFP’.

As buscas e trabalhos de limpeza prosseguiam sob um intenso sol, com temperaturas previstas de 35ºC, de acordo com a Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês)

Nas atuais circunstâncias os socorristas precisam “de uma grande vigilância” pelo risco de insolação e ondas de calor, assim como pela possibilidade de novos deslizamentos de terra, disse o porta-voz.

As fortes chuvas registradas entre sexta-feira e domingo provocaram grandes inundações, ondas de lama e muitos danos, que deixaram vários moradores bloqueados, apesar das ordens – não obrigatórias – e recomendações para que milhões de pessoas abandonassem suas casas.

No bairro Mabi de Kurashiki, a água começa a diminuir de nível, deixando uma camada de barro. Se não fosse pela presença de placas em japonês, a cena seria similar a algo visto no Velho Oeste por conta da lama.

Socorristas percorriam as ruas cobertas de destroços arrastados pela corrente, enquanto os moradores começavam a limpar a região.

“Continuamos as buscas em Mabi com oficiais das Forças de Autodefesa, verificamos cada casa para garantir que não há pessoas bloqueadas”, afirmou à ‘AFP’ uma fonte do governo regional de Okayama.

“Também oferecemos serviços de banho quente e distribuímos água. Sabemos que é uma batalha contra o tempo e fazemos todos os esforços possíveis”, disse.

Na cidade de Kurashiki, de 483.000 habitantes, 8.900 casas estavam sem água corrente, um problema que afeta mais de 200.000 casas no oeste do país.

Nas áreas em que havia construções nas encostas das montanhas, os deslizamentos destruíram completamente as casas e alguns bairros foram completamente tomados pelo barro.

Em 72 horas foram registrados recordes pluviométricos em 118 pontos de observação de 15 municípios, segundo a JMA.

Mais de 70% do território japonês é formado por montanhas e colinas e muitas casas estão construídas em encostas íngremes ou em planícies suscetíveis a inundações, ou seja, zonas de risco. Além disso, muitas casas japonesas são de madeira, especialmente as construções mais tradicionais nas zonas rurais.

As equipes de emergência prosseguem com as buscas a sobreviventes, embora as probabilidades sejam reduzidas, entre os destroços provocados pelas chuvas no oeste do país.

De acordo com a agência Associated Press, mais de 50 pessoas estão desaparecidas somente na região de Hiroshima.

Fábricas de automóveis e de eletrônicos paralisadas
Grandes companhias japonesas com unidades na região oeste foram afetadas pelas chuvas, com a montadora Mazda Motor e a Daihatsu Motor, uma unidade de fabricação de automóveis da Toyota Motor, suspendendo as operações nas prefeituras de Kyoto, Hiroshima e Yamaguchi.

As empresas decidiram sobre as suspensões para garantir a segurança dos funcionários em meio à interrupção dos transportes por conta dos deslizamentos e inundações.

A Panasonic informou que adiou seu plano de retomar as operações na segunda-feira em sua fábrica de Okayama, uma unidade produtora de câmeras de vídeo profissionais. A empresa disse que segue avaliando os danos na fábrica que foi inundada pelas chuvas torrenciais, segundo a ‘Kyodo’.

Mundo-Nipo
Fontes: AFP | Associated Press | Kyodo.

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