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Dólar dispara e fecha em nível histórico, acima de R$ 3,95

O dólar subiu 1,96% e fechou no segundo maior valor de sua história frente ao real. No mês e no ano, a divisa já subiu 9,13% e 48,88%, respectivamente.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou quase 2% nesta sexta-feira (18) e fechou no segundo maior nível de sua história em relação ao real, em meio ao cenário de deterioração das contas públicas e instabilidade política local, pressionado ainda por rumores sobre mais um rebaixamento do Brasil, dessa vez pela agência de Risco Moody’s.

A moeda norte-americana encerrou a sessão em alta de 1,96%, cotada a RS$ 3,9582 na venda, maior nível desde 10 de outubro de 2002, quando fechou na máxima histórica de R$ 3,990. Na máxima do dia, a moeda chegou a subir 2,07%, momento em que foi negociada a R$ 3,9627.

Com o resultado, o dólar valorizou 2,09% na semana, quinta semana consecutiva de alta, acumulando avanço de 13,64% no período. No mês e no ano, a divisa dos EUA já subiu 9,13% e 48,88%, respectivamente.

Nem mesmo a decisão do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) de manter a taxa de juros nos Estados Unidos perto de zero, anunciada na véspera, aliviou o mercado brasileiro. A sessão de hoje foi marcada por rumores sobre um possível rebaixamento do Brasil pela agência de classificação de risco Moody’s, de acordo com quatro profissionais do mercado consultados pela agência de notícias Reuters. Os profissionais, no entanto, mostraram ceticismo sobre essa possibilidade.

O eventual rebaixamento significaria a perda do selo de bom pagador do Brasil por duas agências, o que provocaria intensa fuga de capitais. Na semana p47assada, a Standard & Poor’s rebaixou o Brasil para “BB+”, que é grau especulativo.

O último movimento da Moody’s também foi recente. No dia 11 de agosto, rebaixou o rating brasileiro para “Baa3”, última nota dentro da faixa considerada como grau de investimento, mas alterou a perspectiva da nota para “estável” ante “negativa”, sinalizando que o selo de bom pagador do país deveria ser mantido no curto prazo.

Na terça-feira, a Moody’s classificou as medidas fiscais anunciadas pelo governo brasileiro na véspera como “desenvolvimento positivo” e mais equilibradas do que as propostas anteriores, que lidavam basicamente com medidas do lado da receita.

O pacote de medidas anunciado pelo governo nesta semana foi mais uma tentativa de colocar as contas públicas do país em ordem. No entanto, o mercado vem demonstrando ceticismo sobre a aprovação dessas ações, com foco no retorno da CPMF, no Congresso.

Operadores esperam que o dólar continue em trajetória de alta, superando em breve R$ 4 e atingindo níveis nunca vistos antes. Com isso, esses profissionais deixaram em segundo plano a manutenção dos juros nos Estados Unidos, que tende a sustentar a atratividade de papéis de mercados emergentes. Analistas lembravam também que o quadro global difícil, uma das justificativas do Federal Reserve para não mudar a taxa, tende a afetar negativamente o humor em relação a países como o Brasil.

Atuações do Banco Central
Nesta manhã, o Banco Central brasileiro deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) que vencem em outubro, vendendo a oferta total de até 9.450 contratos.

Ao todo, já rolou o equivalente a US$ 5,860 bilhões, ou cerca de 62% do lote total, que corresponde a US$ 9,458 bilhões.

Os leilões de rolagem servem para adiar os vencimentos de contratos que foram vendidos no passado.

(Com informações da Agência Reuters)

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