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Dólar sobe mais de 1% e fecha a R$ 3,94 com preocupação local e China

A preocupante desaceleração da economia chinesa e o conturbado cenário político local refletiram na alta do dólar hoje.

O dólar fechou em alta de mais de 1% frente ao real nesta quarta-feira (21), refletindo as persistentes preocupações com o cenário político e fiscal no mercado local, além do menor apetite por ativos de risco no exterior diante da preocupante desaceleração da economia chinesa.

A moeda norte-americana subiu 1,03%, cotada a R$ 3, 943 na venda. Esse é novamente o maior valor de fechamento desde 2 de outubro, quando o dólar valia R$ 3,946.

Na semana, há alta acumulada de 1,79% e no mês, queda de 0,57%. No ano, há valorização de 48,31%.

Cenário externo
A queda das ações na China reacendeu a preocupação dos investidores em relação ao país asiático, com os dois principais índices acionários chineses registrando hoje a maior queda em mais de um mês, o que provocou o recuo dos preços das commodities e afetou as moedas atreladas a esses ativos.

O dólar avançava 1,74% frente ao rand sul-africano, 0,59% diante do dólar australiano e 0,41% em relação ao peso mexicano.

Além disso, dados mistos sobre a economia dos Estados Unidos vêm trazendo dúvidas sobre a data da elevação dos juros na maior economia do mundo. Essas informações influenciam o mercado porque juros mais altos nos EUA motivariam uma valorização do dólar em relação a outras moedas, já que os investimentos naquele país ficariam mais atraentes em relação a mercados como o Brasil.

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) aguarda sinais de recuperação econômica do país para elevar os juros, mas a desaceleração na China pode ser usada como argumento para que o Fed postergue a alta da taxa básica no país, que está perto de zero desde dezembro de 2008.

Cenário local
A notícia de que o governo estuda flexibilizar a meta de superávit primário estabelecida para o ano que vem, de 0,7% do PIB, para tentar evitar novas mudanças da meta ao longo do ano aumentou a preocupação com o ajuste fiscal e contribuiu para aumentar a alta do dólar no mercado local.

O mercado teme que a instabilidade política dificulte ainda mais o ajuste das contas públicas e tire a credibilidade do país, afastando investimentos estrangeiros

Além disso, investidores acompanham o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, protocolado hoje pela oposição.

Foram incluídos novos documentos que tentam provar que o governo continua usando de “pedaladas fiscais” diante dos aumentos da despesa sem a autorização do Congresso, tentando, assim, contornar o argumento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de que um presidente só pode ser responsabilizado por crimes cometidos durante o mandato em vigência.

Reunião do Copom
O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central define hoje a taxa básica de juros (Selic), após dois dias de reunião.

Atualmente, a taxa está em 14,25%, o nível mais alto desde agosto de 2006. Todos os analistas consultados pela agência de notícias Reuters e pelo jornal “Valor Econômico” acreditam que o BC irá manter os juros nesse nível, assim como fez em sua última reunião.

Atuações do Banco Central
Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade à rolagem dos contratos de swap cambial (equivalentes à venda futura de dólares) que vencem em novembro, vendendo a oferta total de até 10.275 contratos.

Até agora, a autoridade monetária já rolou US$ 6,655 bilhões, ou cerca de 65% do lote total, que corresponde a US$ 10,278 bilhões.

Fontes: Agência Reuters | Valor Econômico.

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