Política

Visita de Abe ao Brasil rende US$ 700 milhões a empresas brasileiras

O Mizuho Bank vai fornecer US$ 500 milhões à Petrobras.

Do Mundo-Nipo com Agências

Em sua visita ao Brasil, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou que está em tempo de as duas nações expandirem sua parceria comercial e de investimento, conforme noticiou a agência Reuters.

 

Shinzo Abe e Dilma Rousseff em Brasília (Foto: Gatty Images)

Abe e Dilma na cerimônia oficial no Palácio do Planalto (Foto: Gatty Images)

 

Na primeira visita de um premiê japonês ao Brasil em uma década, Abe enfatizou na sexta-feira (1) o sucesso de suas políticas econômicas, e disse aos líderes empresariais brasileiros que o Japão encerrou um ciclo de deflação de 15 anos, desde que suas políticas de estímulo começaram a surtir efeito.

O líder da terceira maior economia do mundo, que se referiu ao Brasil como a maior economia da América Latina, disse que há um grande potencial para expansão no comércio e investimento no país.

“Agora que o Japão está crescendo de novo, podemos crescer com outras nações”, declarou ele nos comentários traduzidos aos executivos, de acordo com a Reuters.

“As empresas japonesas estão atentas ao Brasil e têm grandes expectativas”, afirmou Abe mais tarde, durante a assinatura de um acordo com a presidente Dilma Rousseff.

A Petrobras firmou um contrato de empréstimo de US$ 500 milhões com o Mizuho Bank Ltd para construir oito cascos de plataformas para a produção de petróleo em alto mar.

O Sumitomo Mitsui Banking Corp (SMBC), principal divisão bancária do Sumitomo Mitsui Financial Group, concordou em emprestar US$ 200 milhões para a empresa brasileira de agronegócio Amaggi, para projetos que irão melhorar os embarques de soja e milho para o Japão.

O Japão é o sexto parceiro comercial do Brasil, com uma corrente de comércio de US$ 15 bilhões em 2013. O agronegócio brasileiro é o segundo maior fornecedor de soja e milho para o Japão.

Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) irá juntar forças com o Banco Japonês de Cooperação Internacional (JBIC, na sigla em inglês) para promover o investimento de pequenas e médias empresas japonesas no Brasil.

A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, assinou um contrato com a Japan Oil, Gas and Metals Corp (JOGMEC) para fortalecer a cooperação na mineração de carvão em Moçambique. A Vale ainda renovou seus laços com o JBIC para financiar projetos de minério de ferro, carvão e outros tipos de mineração.

As empresas japonesas estão interessadas em investir na infraestrutura que o Brasil necessita para continuar a crescer, afirmaram autoridades dos dois países. Um plano para construir um trem de alta velocidade ligando São Paulo e Rio de Janeiro é especialmente promissor, disseram.

Dilma agradeceu o país por abrir seu mercado à carne suína brasileira no ano passado, mas pediu a liberação da carne bovina, barrada pelo Japão e outros poucos países por medo da doença da vaca louca.

A presidente, no entanto, disse que é bem-vindo o interesse das empresas japonesas em licitações de infraestrutura e logística no País, especialmente na ampliação dos portos e ferrovias. Dilma afirmou que a parceria entre Brasil e Japão se estende na área espacial, nuclear e na prevenção de desastres naturais.

Abe e Dilma também reafirmaram a colaboração para um reforma no Conselho de Segurança da ONU. Em declaração conjunta, os dois líderes destacaram que as disputadas internacionais devem ser resolvidas com base no direito internacional, referindo-se em parte à crescente assertividade da China.

Em seus discursos, ambos os líderes lembraram que em 2015 os dois países celebrarão 120 anos das relações diplomáticas, comerciais, econômicas e culturais.

Dilma propôs que essa data seja marcada com “intensificação do diálogo político, com aumento dos investimentos japoneses no Brasil e presença econômica brasileira no Japão, além da ampliação do comércio bilateral e maior aproximação cultural e científica”. Para a presidente, tais iniciativas servirão para “reforçar relações” e “renovar o ânimo” bilateral.

Já o líder japonês, após lembrar que seu avô e seu pai já estiveram no Brasil como representantes do governo, citou que os dois países mantêm “muitas coisas parecidas”. Ele citou o sucesso que o churrasco brasileiro faz no Japão, assim como os mangás e animes fazem no Brasil. Abe propôs uma “parceria global estratégica”.

Após a estada em Brasília, Abe embarcou para São Paulo, onde participou de reunião com empresários brasileiros, enquanto Dilma viajou para Montes Claros, Minas Gerais, para participar do lançamento da candidatura ao Senado pelo PMDB de Josué Alencar, presidente da Coteminas, filho do ex-presidente José de Alencar.

A visita de Abe ao Brasil é a última etapa de uma turnê à cinco países da América Latina (México, Trinidad e Tobago, Colômbia, Chile e Brasil). O premiê japonês regressa ao Japão no fim desta semana, após conseguir sólidos acordos políticos e econômicos entre esses países.

(Com as agências Reuters, Estado e Kyodo)

 


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