Política

China e Coreia reagem à visita de políticos japoneses ao santuário de Yasukuni

Os dois países não demoraram a reagir, como sempre fazem a cada vez que acontece uma visita de alto nível ao controverso santuário.

Do Mundo-Nipo com Agências

A visita de três ministros e muitos deputados japoneses ao controverso santuário de Yasukuni, em Tóquio, que honra a memória de 2,5 milhões de soldados mortos em diferentes conflitos bélicos, mais uma vez causou mal-estar aos países vizinhos, China e Coreia do Sul, que consideram o local um símbolo do passado militarista japonês.

 

Yoshitaka Shindo e Keiji Furuya em visita ao Santuário Yasukuni (Fotos: Hiroki Endo/AJW)

Yoshitaka Shindo e Keiji Furuya após visitarem o santuário Yasukuni, em Tóquio, no 69º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (Fotos: Hiroki Endo/AJW)

 

Keiji Furuya, presidente da Comissão de Segurança Pública, Yoshitaka Shindo, ministro de Assuntos Internos, e Tomomi Inada, ministro da Reforma Administrativa, além de 80 deputados, foram durante a manhã rezar neste local que homenageia 14 líderes japoneses condenados como criminosos de guerra por um tribunal dos países aliados, bem como a japoneses mortos na guerra.

A visita coincide com o aniversário da rendição incondicional do Japão em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, da qual o arquipélago do imperador Hirohito saiu debilitado.

Os ministros afirmam geralmente que as visitas têm caráter privado e não se diferenciam das realizadas por milhares de cidadãos japoneses, que fazem a mesma peregrinação várias vezes ao ano. “Parece-me natural apresentar minhas mais sinceras condolências àqueles que sacrificaram sua vida pelo país”, declarou Furuya à imprensa. “Fui homenagear os que perderam a vida durante a guerra”, disse o ministro Shindo após a visita.

No entanto, China e Coreia do Sul não demoraram a reagir, como fazem a cada vez que acontece uma visita de alto nível ao controverso santuário.

“Os políticos japoneses deveriam ter em mente que apenas se abandonarem sua atitude revisionista e expiarem o passado poderemos avançar em direção a relações bilaterais tranquilas”, declarou um porta-voz da chancelaria sul-coreana.

“O cerne do problema está em saber se o governo japonês está disposto a reconhecer o passado de agressões e encará-lo corretamente”, afirmou Hua Chunying, porta-voz da diplomacia chinesa, que encarou a visita como “uma atitude equivocada ante a História”.

Dessa vez, o primeiro-ministro Shinzo Abe se absteve da vista, enviando apenas uma oferenda por meio de um representante. Um assessor de Abe e legislador, Koichi Hagiuda, disse que o premiê quis que ele “expressasse seu respeito e prestasse uma homenagem às pessoas que sacrificaram as suas vidas pela nação”.

O premiê esteve no santuário em dezembro passado, o que esfriou drasticamente os laços com as duas nações vizinhas. Depois disso, insistentes tentativas de se reunir com o líder chinês, Xi Jinping, não deram resultados.

(Com informações do jornal Asahi e das agências AFP e Kyodo)

 


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