Economia Notícias

BC do Japão amplia visão pessimista sobre exportações e indústria

©Hiroshi Ookura

Fechamentos de fábricas asiáticas devido à pandemia forçou alguns fabricantes a cortar a produção, o que dificulta a recuperação do Japão.

O Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) mostrou uma visão mais sombria sobre as exportações e a produção industrial, uma vez que paralisações de fábricas asiáticas estreitaram as ofertas. Ainda assim, a autoridade monetária manteve o otimismo de que o robusto crescimento global vai manter a recuperação econômica nos trilhos.

O presidente do BOJ, Haruhiko Kuroda, também minimizou temores de que os problemas de dívida do China Evergrande Group podem afetar o sistema financeiro global, dizendo que ainda é “problema de uma empresa particular e do setor imobiliário da China”.

“Precisamos ficar de olho se isso afeta os mercados globais. Mas por enquanto não vejo isso se tornando um problema global maior”, disse Kuroda em entrevista quando questionado sobre a agitação do mercado em relação ao futuro da Evergrande.

Como amplamente esperado, o Banco do Japão deixou inalterada sua meta de taxa de juros de curto prazo em -0,1% e a dos rendimentos dos títulos de 10 anos em torno de 0% em sua revisão de política monetária que terminou nesta quarta-feira (22).

O BOJ também decidiu os detalhes de seu esquema de financiamento verde, que começará a distribuir empréstimos em dezembro.

Visão pessimista sobre importações e produção

Embora o banco central japonês tenha mantido sua visão de que “a economia está acelerando como tendência”, apresentou uma visão mais sombria sobre as exportações e produção, já que os fechamentos de fábricas asiáticas devido à pandemia de Covid-19 forçou alguns fabricantes a cortar a produção.

“As exportações e a produção industrial continuam a aumentar, embora tenham sido parcialmente afetadas por restrições de oferta”, disse o banco em comunicado. Essa foi uma visão mais pessimista do que a de julho, quando disse que as exportações e a produção “continuavam a aumentar de forma constante”.

Recuperação econômica fragiliza

A interrupção da cadeia de abastecimento aumenta os problemas para a frágil recuperação do Japão, que tem sido prejudicada pelo baixo consumo, já que o estado de emergência para combater a pandemia impede que as famílias aumentem os gastos.

Esse fato é corroborado pelo relatório dos gastos dos lares em agosto, que teve alta bem abaixo que o esperado, subindo apenas 0,7% ante uma previsão média do mercado de um ganho de 2,9%.

Kuroda disse haver incerteza sobre por quanto tempo as restrições de oferta vão durar. Ele também disse que a fraqueza no consumo de julho a agosto, quando os casos de infecção saltaram, foi “algo inesperado”.

Contudo, ele destacou que a contínua força do crescimento dos Estados Unidos e da China, bem como o avanço da vacinação, ajudarão a economia do Japão a se recuperar da crise induzida pela pandemia.

“À medida que o impacto da pandemia diminui, esperamos que o consumo se fortaleça”, disse Kuroda. “Embora o crescimento possa estar abaixo das projeções, as bases para uma recuperação estão intactas”, disse ele.

A robusta demanda global beneficiou os fabricantes japoneses e impulsionou as exportações, compensando o impacto no consumo das restrições às atividades de combate à pandemia.

A desaceleração nas exportações e na produção, se prolongada, pode ameaçar a projeção otimista do BOJ de uma recuperação impulsionada pelas exportações, dizem alguns analistas.

O fraco crescimento do Japão e a baixa inflação reforçaram as expectativas do mercado de que o BOJ ficará para trás de outros grandes bancos centrais na redução do suporte monetário do modo de crise.

Por Leika Kihara, Tetsushi Kajimoto e Daniel Leussink / Agência Reuters.
== Mundo-Nipo (tradução e adaptação)