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Japão recorda os 74 anos do bombardeio atômico em Hiroshima

Foto: Reprodução/Kyodo

Em discurso, prefeito de Hiroshima pediu aos líderes mundiais, incluindo Shinzo Abe, para que assinem o Tratado para a Proibição de Armas Nucleares.

O Japão recordou nesta terça-feira o 74º aniversário do primeiro bombardeio atômico da história mundial, lançado em 6 de agosto de 1945 contra Hiroshima, onde o prefeito da cidade, Kazumi Matsui, fez um apelo aos líderes mundiais, especialmente do próprio país, para que assinem o Tratado para a Proibição de Armas Nucleares.

Uma sirene foi ouvida às 8h15 locais de terça-feira (hora em que a bomba nuclear explodiu em Hiroshima) em um ato realizado no Parque da Paz, do qual participaram representantes de cerca de 90 países e milhares de pessoas.

Marco Zero ao fundo no Parque da Paz em Hiroshima | Foto: Reprodução/Kyodo

Matsui leu poemas e textos escritos por sobreviventes, nos quais falam dos horrores do bombardeio e pedem que algo assim não aconteça com as futuras gerações.

“Para enfrentar nossas circunstâncias atuais e conseguir um mundo pacífico e sustentável, devemos transcender as diferenças de status ou opinião (…) Para consegui-lo, as gerações vindouras não devem desprezar os bombardeios atômicos e a guerra como meros fatos do passado”, disse Matsui em seu discurso.

Ele pediu à sociedade para adotar um “espírito de tolerância” e assim lutar juntos contra as adversidades atuais: a ascensão do nacionalismo, o aumento das tensões por causa do monopólio e da rivalidade, e o processo de desarmamento nuclear estancado.

“Havendo vivido duas guerras mundiais, nossos idosos perseguiram um ideal: um mundo além da guerra. Prometeram a si mesmos construir um sistema de cooperação internacional”. Não deveríamos lembrar e, para a sobrevivência humana, lutar por esse mundo ideal? Peço a vocês isto, especialmente a vocês, os jovens, que nunca conheceram a guerra, mas que liderarão o futuro”, afirmou o prefeito.

Kazumi Matsui, discursou por quase uma hora no 74º aniversário do bombardeio atômico | Foto: Reprodução/Kyodo

Para Matsui, “os líderes mundiais devem avançar com eles, promovendo o ideal da sociedade civil”, e fez um apelo para se unirem ao Tratado para a Proibição de Armas Nucleares, do qual não fazem parte nem as potências nucleares mundiais nem o Japão.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, também disse algumas palavras na cerimônia na qual se referiu à “meta de se conseguir um mundo sem estas armas”, mas evitou qualquer referência ao tratado.

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No dia 6 de agosto de 1945, às 8h15 locais, o bombardeiro B-29 americano “Enola Gay” lançou – a cerca de 600 metros de altura – sobre a cidade de Hiroshima a bomba atômica chamada de “Little Boy”.

Com uma potência equivalente a 16 quilotoneladas de TNT, a bomba em Hiroshima causou uma deflagração que subiu a temperatura no solo a 4.000 graus.

“Little Boy” provocou de forma imediata com a vida de cerca de 80 mil pessoas. O número aumentaria até o final de 1945, quando o balanço de mortos chegava a 140 mil, e nos anos posteriores as vítimas da radiação somaram mais do que o dobro.

Bomba atômica em Hiroshima matou cerca de 140.000 pessoas | Foto: Domínio Público

Três dias depois da destruição de Hiroshima, os EUA lançaram sobre o Japão uma segunda bomba atômica, a “Fat Man”, que atingiu a cidade de Nagasaki, o segundo ataque atômico da história mundial causou a morte instantânea de 74.000 pessoas.

As duas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos precipitaram a capitulação do Japão no dia 15 de agosto de 1945 e, de fato, o fim da Segunda Guerra Mundial.

Muitos japoneses consideram a destruição dessas duas cidades como crimes de guerra, uma vez que os alvos foram civis e sua capacidade de devastação sem precedentes.

Enquanto isso, grande parte dos americanos acredita que estes bombardeios, que precipitaram o fim da guerra entre os Estados Unidos e o Japão, impediu a perda de mais vidas.

MN – Mundo-Nipo.com
Fontes: Agência EFE | Kyodo News.