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Abe exige investigações sobre casos de violência contra crianças no Japão

Reprodução - AP/Shizuo Kambayashi

A decisão é em resposta ao aumento da violência contra criança no país e, em especial, à morte recente de uma menina que sofria de abusos dos pais.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, determinou que sejam feitas, dentro de um mês, investigações de emergência sobre possíveis casos de abuso infantil para confirmar a segurança das crianças, uma iniciativa que ocorre após divulgação de dados alarmantes sobre a violência contra crianças no país, além de um caso envolvendo a morte de uma menina de 10 anos, vítima de maus tratos dos pais, seguida de negligência de órgãos de proteção ao menor, que não deram atenção aos apelos da menina.

Em reunião com seus ministros, Abe pediu que sejam verificados todos os casos suspeitos de abuso que estão sendo tratados atualmente nos centros de bem-estar infantil.

A ordem ocorre depois da detenção dos pais de uma menina de 10 anos, na província de Chiba, na região metropolitana de Tóquio, acusados de terem provocado graves lesões que causaram a morte da filha.

Abe disse que é lamentável que escolas, comitês de educação e centros de bem-estar infantil, que, supostamente deveriam proteger as crianças, tenham falhado ao ouvir os pedidos de socorro da menina.

Ele acrescentou que deve ser dada prioridade à proteção das vidas das crianças e pediu esforços para eliminar o abuso infantil no país.

Esta não é a primeira vez que Abe exige investigações sobre abuso infantil no país. Em meados de junho do ano passado, o premiê japonês ordenou aos seus ministros implementar medidas mais eficazes para prevenir o abuso infantil no país, uma decisão em resposta à  à morte de uma menina de 5 anos em consequência de maus tratos sofridos pelos pais, um caso que também gerou uma onda de comoção e revolta no país, com repercussão no exterior. fez um pedido semelhante aos seus subordinados

Dados sobre violência contra menores
A Agência Nacional de Polícia (NPA, na sigla em inglês) do Japão divulgou na quinta-feira (7) um número recorde de violência contra crianças e adolescentes até 18 anos durante o ano de 2018 no país, marcando o 14º aumento anual consecutivo.

De acordo com o relatório da ANP, 80.104 casos de violência chegaram ao conhecimento dos centros de atendimentos ao menor em todo o Japão no ano passado.

O número recorde representa um aumento de 22,4% em relação ao ano anterior e é o maior já registrado no país desde que a agência começou a compilar os dados, em 2004.

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Apelo da ONU
O Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança pediu ao governo japonês que proíba o castigo físico aplicado às crianças em casa.

O comitê avalia a situação dos direitos humanos nos países, com base na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.

Na quinta-feira (7), em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça, representantes do comitê divulgaram os resultados da revisão das condições de direitos humanos no Japão.

Segundo o relato, a lei japonesa não proíbe completamente o castigo físico às crianças em casa. Acrescentou que a punição corporal deve ser clara e completamente proibida, mesmo sendo leve.

Um repórter perguntou sobre as opiniões do comitê a respeito do caso da menina de 10 anos que, recentemente, morreu em consequência de possíveis abusos cometidos por seus pais.

Um dos integrantes do órgão disse que a menina deve ter pedido ajuda a muitos adultos, mas nenhum deles tentou protegê-la. O especialista afirmou que a tragédia nunca mais deverá se repetir.

MN – Mundo-Nipo
Fontes: Agência Brasil | Asahi ShimbunMainichi.