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Japão e Leste Europeu fortalecem relações comerciais

Foto: Stockvault

Colaborações empresariais do Japão com nações do leste da Europa abrangem uma grande variedade de setores.

18/01/2018 – às 10h55 | Atualizado em 21/01/2018 – às 08h01


O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, iniciou o ano de 2018 com uma visita histórica a seis nações do Leste Europeu, na qual levou uma delegação com dezenas de empresários japoneses para promover as relações econômicas e diplomáticas, segundo matéria publicada hoje pelo site de notícias ‘Euronews’.

A publicação do site europeu avalia algumas colaborações comerciais que já existem para perceber a razão que leva os empresários japoneses a olhar, cada vez mais, para o flanco oriental da Europa.

As colaborações empresariais entre o Japão e o Leste Europeu abrangem uma grande variedade de setores, com cada país oferecendo um conjunto único de oportunidades para os investidores japoneses.

De acordo com a ‘Euronews, existe ainda o potencial de exportar não só bens, mas também conhecimento para o Japão. Um exemplo disso é a Estônia, que ganhou recentemente o título de ‘sociedade digital mais avançada do mundo’. Nesse país do Leste Europeu, 99% dos serviços estatais estão em linha utilizando uma ferramenta chamada “E-Estônia”.

A espinha dorsal do serviço é uma plataforma de gestão de dados chamada X-Road. Cerca de 52 mil organizações usam o serviço que trata, anualmente, cerca de 500 milhões de solicitações.

Outros países, incluindo a Finlândia, a Namíbia e o Azerbaijão, estão seguindo o exemplo da Estônia.

Inspirada no êxito da X Roads, uma “start-up” liderada por um empresário japonês está desenvolvendo sua própria plataforma de gestão de dados para ser utilizada no setor privado.

A Planetway é basicamente uma empresa híbrida entre a Estônia e o Japão, que trata ainda de negócios, pesquisa e desenvolvimento, segundo explicou à ‘Euronews’ o presidente da empresa, Noriaki Hirao.

— A Estônia desenvolveu isso [Planetway] e os japoneses adaptaram, já utilizando no Japão. Todos os países asiáticos dizem: Uau, quero utilizar isso”, destaca Hirao, acrescentando que “a Estônia é o exemplo perfeito de uma sociedade digital total, provavelmente uma das melhores do mundo”.

— O mundo agora está começando a perceber que tudo deve estar ligado e digitalizado. Tudo é informação! É por isso que pensamos que a Estônia é o melhor país para colaborarmos”, conclui Hirao.

Raul Allikivi, membro estoniano da direção da PlanetWay explicou quais as principais implicações desta tecnologia:

— Quando pensamos no futuro (…) em sensores e na Internet das Coisas (…) Eles saberão muito mais sobre nós do que qualquer Governo jamais saberia. Mas aqui, o que pensamos é que, basicamente, esses dados devem ser preservados apenas no banco de dados onde foram criados.

Segundo ele, uma fonte de dados e múltiplas conexões seguras significam um menor custo e uma maior segurança.

— O que fazemos é desejar partilhar os mesmos dados e reutilizar a mesma informação e apenas nos certificarmos de que as ligações e o acesso são seguros, sublinha Allikivi.

Para obter uma visão mais ampla do clima empresarial e de investimento entre o Japão e o leste da Europa, a ‘Euronews’ entrevistou Norio Maruyama, do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão. Veja abaixo as explicações de Maruyama:

— Sabe, esta é a primeira visita de um primeiro-ministro japonês a esta parte do mundo, afirmou Maruyama sobre a tour de Shinzo Abe ao Leste Europeu.

— Concluímos, agora, um acordo de parceria econômica entre a União Europeia e o Japão. Esta é uma parceria verdadeiramente histórica porque vai envolver cerca de 640 milhões de pessoas, o que representa cerca de um terço do PIB mundial.

— Muitas empresas do Japão estão muito interessadas em ir para a Europa e, em especial, para esta parte europeia [Leste], para promover o comércio e o investimento.

— As empresas japonesas consideram a elevada qualidade da mão-de-obra dessas regiões muito importante. Isso é, também, um fator de atração.

— Os japoneses têm um profundo sentimento de amizade para com esses países, o que facilitará o comércio entre as duas regiões.

— Estamos na Bulgária [onde ocorreu a entrevista à Euronews], que está se tornando um centro de produção para as empresas japonesas. Três dessas empresas estão prestes a iniciar uma produção aqui [na Bulgária], o que significa a criação de 8.000 postos de trabalho para os búlgaros. Estamos na segunda cidade da Bulgária – Plovdiv – para visitarmos uma dessas empresas.

— O comércio entre a Bulgária e o Japão ascendeu, em 2017, aos 125 milhões de euros, o nível mais altos desde 2008. O investimento japonês na Bulgária está, também, em alta e com o Acordo de Livre Comércio entre a UE e o Japão, finalizado em dezembro, há previsão de novas colaborações comerciais, concluiu Maruyama

A Federação Japonesa de Associações Cooperativas Agrícolas – Zen Noh – espera expandir o mercado de sushi congelado na Europa. Veja abaixo as explicações do presidente da Zen Noh, Soichi Momose, que foi entrevistado pela ‘Euronews’.

— O peixe vem da Noruega e da Escócia. Então, com arroz japonês e peixe europeu, produziremos o nosso sushi aqui na Bulgária. Trazemos o arroz cru, do Japão, tiramos a casca para que ele fique branco. É desta forma que preservamos o sabor do arroz e impedimos que ele seque, disse Momose.

Segundo ele, o próximo passo é ferver o arroz e, depois disso, metade do trabalho é feito pelas máquinas e a outra metade é feita à mão. Depois de pronto, o sushi é congelado.

— No Japão, também comemos sushi congelado e temos fábricas que produzem e preparam esse tipo de refeição, à base de arroz. Se a fábrica funcionar bem, podemos expandi-la e recrutar mais pessoas”, concluiu Momose.

Fonte: Euronews.


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