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Dinheiro e poder no Japão estão nas mãos dos idosos

Foto: Reprodução/BBC

Grande parte da poupança do Japão está nas mãos de pessoas com 65 anos ou mais, habitantes que compõe mais de um quarto da população do país.

Atualizado em 03/05/2019

O Japão é conhecido por ser um país onde as pessoas vivem muito tempo, com o maior índice de longevidade do mundo, um dos principais motivos para o crescente envelhecimento da população e o declínio alarmante na taxa de natalidade.

Segundo a agência Bloomberg, o envelhecimento populacional tem se tornado cada vez mais importante para a formulação da política e das medidas de estímulo econômico, em vista que a média de idade dos eleitores japoneses agora tem entre 50 e 54 anos, enquanto grande parte da poupança do país estão nas mãos de pessoas com 65 anos ou mais.

No Japão, o número de pessoas com idade a partir dos 100 anos aumentou pelo 48º ano consecutivo, atingindo a incrível soma recorde de 69.785 centenários, é a maior população nessa faixa etária em todo o planeta. Enquanto isso, a proporção de habitantes com mais de 65 anos é maior do que em qualquer outro país.

Pessoas com idade a partir de 65 anos compõe mais de um quarto da população japonesa, ou seja, mais de 30% de um total estimado em 127 milhões, uma proporção que deve alcançar 40% até 2060, de acordo com um relatório do Ministério do Interior do Japão

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As famílias japonesas têm 1,741 trilhão de ienes (US$ 16 bilhões) em ativos, com 52% desse valor em forma de dinheiro e depósitos. Os idosos têm mais poupança e menos dívidas. Mesmo assim, mais de 10% deles vivem em situação de relativa pobreza.

Embora os eleitores idosos votem a favor do primeiro-ministro Shinzo Abe e em seu partido, o Liberal Democrata (PLD), atualmente no governo, eles não estão atendendo aos pedidos das autoridades de gastar para ajudar a reanimar a debilitada economia japonesa.

Muitos deles têm mais recursos que os jovens eleitores, mas com as taxas de juro perto de zero, os idosos não estão obtendo muito retorno sobre suas poupanças e isso os torna menos propensos a consumir.

*Matéria original foi escrita por James Mayger, da Bloomberg / Tradução do Mundo-Nipo.com (MN).