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Dólar tem forte alta ante o real e fecha no maior nível desde 2005

A moeda dos EUA avançou quase 2% e atingiu o patamar de R$ 2,74.

Do Mundo-Nipo com Agências

O dólar avançou fortemente sobre o real nesta quarta-feira (4), anulando as perdas da véspera e fechando no maior nível em 9 anos e 11 meses, reagindo à renúncia de Graça Foster da presidência da Petrobras, anunciada mais cedo. No exterior, o ambiente foi de maior aversão a risco diante de incertezas com a Grécia e dados melhores que o esperado do setor de serviços nos Estados Unidos, o que alimentou as expectativas de aperto monetário no país e sustentou a alta do dólar frente às principais divisas.

A moeda norte-americana encerrou o dia com alta de 1,78%, cotada a R$ 2,7420 na venda, após atingir R$ 2,7490 na máxima da sessão. É o maior valor de fechamento desde 23 de março de 2005, quando a moeda valia R$ 2,749. Segundo dados da BM&F, o movimento financeiro continuou fraco, mas um pouco melhor que ontem, em torno de US$ 900 milhões contra US$ 451 milhões na véspera.

A forte alta do dólar hoje provocou um movimento de “stop loss” (limite de perda), levando a um aumento da demanda pela moeda americana. “Os investidores estrangeiros pararam de vender dólar e isso mudou a dinâmica do mercado”, afirmou à Agência Valor Online Italo Abucater, especialista em câmbio da Icap Corretora.

No cenário externo, o clima foi de incertezas sobre o acordo de refinanciamento da dívida da Grécia, que aumentaram a preocupação com uma possível saída do país da zona do euro. A Alemanha rejeitou o plano de renegociação da dívida grega, o que pode colocar em cheque a continuidade dos pagamentos do acordo de resgate da Grécia, conforme noticiou o Valor.

Indicadores melhores que o esperado do setor de serviços nos Estados Unidos também ajudaram a compensar o número abaixo do esperado da criação de vagas no mercado de trabalho privado americano, impulsionando as taxas dos Treasuries e a valorização da moeda americana.

O índice dos gerentes de compras de setor serviços dos EUA subiu para 56,7 pontos em janeiro, acima da previsão dos analistas que era de 56,1 pontos. Já no setor privado nos EUA foram criadas 213 mil vagas de trabalho em janeiro, abaixo da previsão dos analistas que era de 240 mil postos.

No Brasil, o movimento do dólar foi acentuado por uma série de operações de compras automáticas de divisas, conhecidas como “stop-loss”. Na avaliação de operadores, houve algum exagero que pode ser corrigido nas próximas sessões, mas não se contempla um cenário em que a moeda norte-americana volte para perto de R$ 2,60, destacou mais cedo a Agência Reuters.

Neste ano, a moeda norte-americana acumula alta de mais de 3% sobre o real. Estes ganhos também foram impulsionados por declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que afirmou na sexta-feira passada não haver a intenção de manter o câmbio sobrevalorizado.

A persistente queda dos preços do petróleo e as preocupações em torno da Petrobras também contribuíram para o mau humor aqui. De acordo com o Valor Online, a confirmação da renúncia de Graça Foster, bem como de outros cinco diretores da estatal, é vista como um bom sinal, mas ao mesmo tempo amplia as incertezas com o futuro da estatal.

O impacto da Petrobras sobre as expectativas para o câmbio se dá especialmente pelo fato de a estatal ser uma das principais emissoras de dívida no mercado internacional, o que mexe diretamente com as perspectivas de entrada de capital. Além disso, cálculos indicam que o impacto financeiro direto e indireto dos investimentos da estatal equivale a cerca de 10% do PIB, o que ressalta o peso da Petrobras na economia e a influência negativa da crise na estatal sobre a atividade como um todo.

Apesar do fluxo cambial positivo de US$ 3,903 bilhões em janeiro, boa parte desses recursos entraram pela conta financeira, que somou ingresso líquido de US$ 4,118 bilhões, atraídos pelo ganho com a arbitragem de juros. Esse capital é mais volátil e sensível ao apetite por risco e, por isso, muitos analistas já esperam uma redução ou mesmo a reversão desse fluxo em fevereiro.

Intervenções do Banco Central no câmbio

Nesta manhã, o BC deu continuidade às intervenções diárias, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps cambiais. Foram vendidos 800 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.200 contratos para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 98 milhões.

O BC também vendeu a oferta integral de até 13 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de março, equivalentes a US$ 10,438 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 18% do lote total.

(Com informações das Agências Reuters e Valor Online)

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