Costumes

Cultura omotenashi faz do Japão o país mais bem educado do mundo

Omotenashi é um modo de vida no Japão, que combina educação e cordialidade a uma polidez extremamente requintada.

A cultura omotenashi é um modo de vida no Japão, um termo que pode ser traduzido como “hospitalidade japonesa”. Na prática, a expressão combina a educação e uma polidez requintada, com um desejo de manter a harmonia e evitar o conflito.

Modo de vida omotenashi

1 Pessoas resfriadas usam máscaras cirúrgicas para evitar infectar outros. Vizinhos se presenteiam com caixas de sabão em pó antes de iniciar obras – um gesto para ajudar a limpar suas roupas do pó que inevitavelmente será produzido.

2 Funcionários em lojas e restaurantes te cumprimentam sempre com o Ojigi – ato de curvar-se em sinal de cumprimento –, com uma deferência e um caloroso irasshaimase (bem-vindo).

Foto: Montagem Mundo-Nipo

3 Colocam a mão embaixo da sua na hora de dar troco para evitar que qualquer moeda caia. Quando você deixa a loja, não é raro que fiquem na porta se curvando até perdê-lo de vista.

4 Até máquinas praticam o omotenashi. Portas de táxis se abrem automaticamente diante de sua chegada – e o motorista de uniforme branco não espera gorjeta. Elevadores se desculpam por deixá-lo esperando, e quando você entra no banheiro o assento do vaso sanitário se levanta.

5 Em obras, placas indicativas geralmente trazem uma imagem fofa de um trabalhador se curvando em deferência, como forma antecipada de se desculpar pelos possíveis transtornos provocados.

6 Na cultura japonesa, quanto mais uma pessoa vem de longe, maior é a cordialidade em relação a ela – daí a razão de estrangeiros (gaijin – literalmente “pessoas de fora”) invariavelmente se impressionarem com a cortesia.

7 As pessoas se curvam ao sentar perto de você no ônibus, e depois de novo quando se levantam, uma atitude usualmente praticada em várias situações, o que deixa qualquer estrangeiro constrangido com tanta cordialidade e respeito oferecido pelos japoneses.

Ensinamentos

Mas omotenashi vai além de ser gentil com visitantes, isso porque essa atitude perpassa todos os níveis da vida cotidiana e é ensinada desde os primeiros anos de vida.

“Muitos de nós cresceram com um provérbio”, diz Noriko Kobayashi, chefe de turismo interno no consórcio DiscoverLink Setouchi, que busca criar empregos, preservar o patrimônio e promover o turismo em Onomichi, na região de Hiroshima.

“Ele diz assim: ‘Depois que alguém fez algo bom a você, nós devemos fazer algo bom a outra pessoa. Mas depois que alguém faz algo ruim a você, nós não devemos fazer algo ruim a outra pessoa. “Acho que esses ensinamentos nos fazem ser educados no comportamento.”

Mas, de onde vem toda essa cortesia e educação? Para Isao Kumakura, professor emérito no Museu Nacional de Etnologia, em Osaka, grande parte da etiqueta japonesa tem origem nos rituais formais de cerimônias de chá e de artes marciais.

Na verdade, a palavra omotenashi, literalmente “espírito de serviço”, vem da cerimônia de chá. O anfitrião dessas cerimônias trabalha duro para proporcionar o clima certo para entreter convidados, escolhendo a louça, flores e decoração sem esperar nada em troca.

Os convidados, cientes dos esforços do anfitrião, respondem mostrando uma gratidão quase reverencial. Os dois lados criam um ambiente de harmonia e respeito, ancorado na crença de que o bem público vem antes da necessidade particular.

Código samurai

Do mesmo modo, delicadeza e compaixão eram valores centrais do bushido (o caminho do guerreiro), o código de ética do samurai, a poderosa casta militar que era altamente treinada em artes marciais.

O complexo código, análogo ao da cavalaria medieval, não governava apenas a honra, disciplina e moral, mas também o jeito certo de fazer tudo, da deferência ao ato de servir chá.

Seus preceitos zen demandavam domínio das emoções, serenidade interna e respeito pelo outro, incluindo o inimigo. O bushido se tornou a base para o código de conduta da sociedade em geral.

Uma coisa maravilhosa de estar exposto a tanta gentileza é que se trata de algo tão contagioso como um vírus epidêmico. Você rapidamente estará sendo mais gentil e civilizado, entregando carteiras perdidas à polícia, sorrindo ao dar vez a outros motoristas, levando seu lixo para casa e nunca – nunca – levantando a voz ou assoando o nariz em público.

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Seria ótimo se todo visitante levasse um pouco d cultura omotenashi para casa e espalhasse esse modo vida em seu próprio país. “O efeito cascata poderia mudar o mundo”.

Por Steve John Powell e Angeles Marin Cabello – Da BBC / Tradução e adaptação de Maria Rosa, do Mundo-Nipo.com (MN). A versão original desta matéria pode ser conferida no site BBC Travel.

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👉 Matéria atualizada em 07/11/2019.