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Estudo simula consequências da temida erupção do Monte Fuji

Simulação de erupção no Monte Fuji | Reprodução/NHK/Edição MN

A possibilidade de uma erupção no Monte Fuji é uma realidade, o que tem preocupado, e muito, o governo japonês, que tem encomendado séries de pesquisas.

Desde que um estudo sobre vulcões lançado em meados de 2014, no qual revelou que o Monte Fuji está em estado crítico e pode entrar em erupção a qualquer momento, o Governo do Japão vem exaustivamente encomendando várias pesquisas sobre o tema, bem como elaborando planos de evacuação regional para uma possível erupção violenta no monte que, na verdade, é um vulcão ativo, mas supostamente de baixo risco de erupção.

Um desses estudos científicos foi divulgado esta semana, no qual estima o volume de cinzas, bem como as áreas que serão atingidas após uma explosão vulcânica no Monte Fuji.

Elaborado por uma equipe de vulcanólogos formada pelo governo, em conjunto com especialistas da Agência de Gestão de Desastres, o estudo confirma a pesquisa de 2014, afirmando que o símbolo maior do Japão pode ameaçar as vidas de milhões de pessoas caso entre em erupção.

A nova pesquisa, no entanto, focou em estimar a quantidade de cinzas e as faixas de deposição das mesmas. O trabalho teve como base a última erupção do Monte Fuji, que ocorreu há mais de 300 anos, em 1707. Na ocasião, o vulcão liberou cerca de 1 bilhão de metros cúbicos de cinzas e rochas. Parte desse material atingiu Tóquio – que na época se chamava Edo – localizada a 100 quilômetros do epicentro da erupção.

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Na erupção da Era Edo, chamada pelos japoneses de Hoei Dai Funka, o acúmulo de cinza no cume do Monte Fuji passou de 3 metros. Já a capital japonesa foi coberta por 1,5 metro de cinzas.

Com base nisso, os especialistas mediram o intervalo da queda de cinzas, que em 1707 durou quase duas semanas – o Monte Fuji entrou em erupção, mas sem expelir lavas.

Nesse novo estudo, os pesquisadores estimaram o volume das cinzas, bem como a direção que seriam expelidas, por intermédio de uma gama de cálculos sobre a variação da direção do vento e da escala da erupção no monte. Eles usaram como base a velocidade e direção do vento entre os dias 16 e 31 de dezembro de 2018, alegando que o clima nesse período de dias era semelhante ao registrado na erupção de 1707.

Os cálculos finais dessa simulação revelaram que a queda de cinzas, logo após uma erupção do Monte Fuji, atingirá primeiramente as províncias de Shizuoka e de Yamanashi, onde o monte está situado, se estendo até Kanagawa, Tóquio e Chiba. Essa projeção, no entanto, pode ser ampliada para praticamente toda a Região Metropolitana de Tóquio (Gunma, Tochigi, Ibaraki, Saitama, Chiba, Kanagawa, além da cidade de Tóquio).

De acordo com o estudo, Shizuoka poderá ter um acúmulo de 1,20 metro de cinzas, o que corresponde a uma queda de 1 a 2cm por hora.

As cidades com maior acúmulo em Kanagawa serão Hadano (45cm), Odawara (de 20 a 25cm) e Yokohama (10cm), cidade localizada a cerca de 80 quilômetros do Monte Fuji. Já o distrito de Shinjuku, em Tóquio, receberá um acúmulo entre 1 a 1,5cm, enquanto a Baía de Tóquio ficara coberta por 4,5cm de cinzas. A cidade de Narita, em Chiba, terá 4mm.

A simulação, no entanto, também projeta quedas de cinza ininterruptas em algumas áreas, enquanto outras poderão cessar antes dos 15 dias.

No caso das áreas com volume maciço de cinzas, principalmente localidades no entorno do Monte Fuji, estas sofrerão possíveis desmoronamentos de edificações, tanto casas como edifícios resistentes.

A explicação está no peso. Isso porque, quando o acúmulo chega a 10cm, o peso por metro quadrado é de aproximadamente 100kg.

Além disso, todo o sistema de transporte será afetado, bem como o abastecimento de água e de energia elétrica, o que poderá se agravar no caso de chuvas.

Os pesquisadores disseram que o estudo servirá de análise para planos de medidas de prevenção e evacuação, o que será iniciado no próximo ano fiscal, conforme noticiou a ‘NHK News’, site de notícias da emissora pública japonesa NHK.

A NHK News exibiu um vídeo divulgado pelos pesquisadores e que no qual simula o local onde ocorreria a erupção no Monte Fuji. Há ainda simulação da queda das cinzas em várias cidades, revelando um cenário apocalíptico, totalmente nebuloso em consequência do acúmulo de cinzas.

Simulação de erupção no Monte Fuji | Reprodução/NHK/Edição MN

Monte Fuji está em estado crítico e risco de erupção
A possibilidade de uma erupção do Monte Fuji tem preocupado, e muito, o governo japonês. Isso porque um estudo minucioso, publicado em 2014, alertou que a montanha símbolo do país está em estado crítico e pode entrar em erupção a qualquer momento, isso porque a maior montanha do Japão foi afetada pelo forte terremoto em março de 2011, causando perturbações no até então adormecido vulcão.

Conduzido por pesquisadores franceses em colaboração com cientistas do Japão, o estudo de 2014 foi o estopim para que autoridades japonesas iniciassem suas pesquisas sobre uma erupção no Fuji.

Tal erupção, de acordo com a pesquisa, provocar a morte de aproximadamente 8 milhões de pessoas que vivem em Tóquio e em áreas próximas, além de destruir estradas e ferrovias que ligam as cidades mais populosas do Japão.

Suspeitas de que o terremoto e o tsunami de 2011 tinham afetado o vulcão existiam desde 2012. Com base nisso, pesquisadores do Institut des Sciences de la Terre e do Institut de Physique du Globe de Paris, em colaboração com cientistas japoneses, publicaram as conclusões de um estudo conduzido nos vulcões japoneses.

Inicialmente, a intenção da pesquisa era descobrir como as ondas sísmicas liberadas pelo terremoto haviam afetado os vulcões no arquipélago, e tentar entender se esses ecos dos tremores poderiam ser úteis para prever grandes erupções.

Os pesquisadores explicaram que usaram os “ruídos sísmicos” do tremor Tohoku-Oki (nome dado ao grande terremoto de março de 2011) para criar uma espécie de ultrassonografia da crosta terrestre.

Com isso, eles perceberam que as maiores perturbações na crosta ocorreram justamente abaixo do Monte Fuji, a aproximadamente 400 quilômetros do epicentro do tremor. O terremoto aumentou a pressão naquela região vulcânica onde erupções não acontecem desde 1707. A última erupção de Fuji ocorreu justamente dias depois de um terremoto de 8,7 graus na escala Richter ter atingido a costa de Osaka.

O Tohoku-Oki, de 2011, foi um tremor de magnitude 9. De acordo com pesquisas japonesas, a pressão na câmara de magma do vulcão está cerca de 16 vezes mais alta do que quando da última erupção.

Vale lembrar que essa análise foi realizada em ocasião do estudo, ou seja, em 2014, portanto, não há registros sobre uma avaliação posterior que mensure a pressão atual da magna na câmara do Monte Fuji.

“Nosso trabalho não diz que o vulcão vai entrar em erupção imediatamente, mas mostra que está em estado crítico”, disse Florent Brenguier, um dos autores do estudo, ao jornal britânico The Guardian, em ocasião da publicação do estudo.

“Tudo que podemos dizer é que o Monte Fuji está, agora sob pressão, o que significa que ele apresenta um grande potencial para entrar em erupção. O risco é claramente maior”, completou o vulcanólogo.

Sobre o Monte Fuji
Com 3776 metros de altitude, o Monte Fuji é o ponto mais alto do arquipélago japonês. A montanha é considerada sagrada para os japoneses, sendo motivo de orgulho dos mesmos.

O Fuji-san está localizado em Honshu, maior ilha do Japão, a cerca de 100 quilômetros a oeste de Tóquio, mais precisamente entre as fronteiras das províncias de Shizuoka e de Yamanashi.

Sua grandeza pode ser confirmada pelo belíssimo panorama que ele exibe, já que o monte pode ser avistado, em dias limpos, em um raio de 200 quilômetros, ou seja, ele pode ser contemplado a partir de, praticamente, todas as províncias que fazem parte da região de Kanto.

Foto: Japan National Tourism Organization (JNTO)

Dono de inigualável beleza, principalmente por ter um formato excepcionalmente cônico e o topo coberto de neve quase o ano todo, o Fuji-san recebe anualmente cerca de 400 mil visitantes por ano. O número poderia ser maior, mas foi limitado em 2018 para preservação do monte, já que turistas comumente “sujam” o local, deixando lixos espalhados, o que degrada o ambiente natural da venerável montanha.

Em junho de 2013, o símbolo maior do Japão foi declarado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. O órgão declarou que o famoso monte “é um lugar sagrado e fonte de inspiração artística desde tempos antigos”.

Do MN – Mundo-Nipo