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Número de trabalhadores estrangeiros no Japão atinge nível histórico

Foto: Akio Kon

A força de trabalho estrangeira no Japão duplicou em cinco anos. Trabalhadores brasileiros somam 9% do recorde de 1,46 milhão.

O número de  trabalhadores estrangeiros no Japão teve um crescimento histórico em 2018, cerca de 14% em relação ao ano anterior, alcançando novo recorde pelo sexto ano consecutivo, de acordo com um relatório revisado e divulgado pelo governo japonês na última segunda-feira.

Segundo o levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social do Japão, que se baseia em dados fornecidos por empregadores, o número de estrangeiros trabalhando no Japão apurados até 31 de outubro de 2018 ultrapassou a marca histórica de 1,460 milhão.

O montante recorde representa um aumento de aproximadamente 180 mil, ou 14%, em comparação com o ano anterior. Além de bater o recorde pelo sexto ano consecutivo, o número mais que duplicou em relação ao registrando em 2013.

Por nacionalidade, trabalhadores chineses continuam no topo da lista, com cerca de 390 mil, respondendo a 27% do total. Vietnamitas estão em segundo lugar, com 310 mil, o que corresponde a 22% da força de trabalho estrangeira. Aliás, o número de trabalhadores do Vietnã registrou um aumento de 32% em relação ao ano anterior, a maior elevação por nacionalidade, enquanto os filipinos representam a terceira maior força de trabalhadores imigrantes, totalizando cerca de 160 mil, ou 11% do total.

Já os brasileiros representam o quarto maior grupo de trabalhadores estrangeiros no país. Segundo o ministério, a força de trabalho de brasileiros no país representa cerca de 9% do total de estrangeiros, somando aproximadamente 125 mil.

Cerca de 439 mil trabalhadores estrangeiros, ou 30% do total, estão concentrados em Tóquio. As maiores concentrações seguintes são na província de Aichi, com 152 mil, e em Osaka, com 90 mil.

Embora o número de trabalhadores estrangeiros tenha aumentado rapidamente, eles ainda representam uma pequena parcela da força de trabalho total do Japão, com apenas 2%.

A grave escassez de mão de obra do Japão obrigou o governo do primeiro ministro Shinzo Abe a criar uma estrutura para aumentar o número de trabalhadores estrangeiros e, assim, aliviar a pressão sobre os empregadores.

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Uma nova lei de imigração, que entrará em vigor em abril deste ano, permite que o país aceite formalmente trabalhadores de colarinho azul do exterior e lhes dê um caminho para a residência permanente. Isso provavelmente levará ainda mais estrangeiros a escolher o Japão como um destino de emprego.

O governo estima que até 340.000 trabalhadores estrangeiros poderiam entrar no Japão nos próximos cinco anos.

Embora a lei permita trabalhadores estrangeiros adicionais na agricultura, enfermagem e em outros 12 setores, questões como garantir condições de trabalho adequadas para esses “imigrantes” ainda precisam ser resolvidas.

As preocupações permanecem sobre o sistema de saúde do Japão e sua capacidade de acomodar os imigrantes e suas famílias. O governo está tentando garantir que os trabalhadores estrangeiros possam fazer seu trabalho enquanto são integrados em suas comunidades.

Porém, essa tendência não é muito bem vista pela sociedade japonesa, que é notória pela xenofobia e, portanto, reluta em aceitar imigrantes, mesmo com o rápido descenso populacional.

A população japonesa diminuiu em quase um milhão de pessoas entre 2010 e 2015. No ano passado, caiu mais 227 mil. Em paralelo, o número de residentes com mais de 65 anos atingiu 27% da população total, um recorde. Segundo estimativas, esse contingente de idosos deverá subir ainda mais, para 40%, em 2050.

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Fontes: Nikkei| BBC News.